Apesar de estar confiante na vitória da proposta do ''Sim'', o prefeito Nedson Micheleti prefere não arriscar um palpite para o plebiscito de hoje. Pelo contrário: ele acredita que, independentemente do resultado, o placar será apertado. ''(A disputa) está equilibrada. Hoje não dá para dizer quem ganha'', disse.

Já o número de eleitores que irão comparecer às urnas será alto, na avaliação de Nedson. Para ele, não será surpresa se mais de 100 mil londrinenses participarem do plebiscito, o que daria quase a metade dos eleitores que normalmente votam em eleições normais. ''Seria um número excelente, que daria legitimidade ao plebiscito'', comentou o prefeito, que votará às 9 horas no Jardim Leonor (zona oeste).

O presidente da Câmara, Tercílio Turini (PSDB), autor da lei que obrigou a realização do plebiscito, também está otimista. ''Temos hoje quase 300 mil eleitores em condições de votar. Eu ficaria muito satisfeito se mais de 100 mil pessoas comparecessem às urnas. A participação pode surpreender'', destacou.

Para o prefeito, os últimos 15 dias foram muito importantes para que a população buscasse informações sobre o processo de venda da Celular e formasse opinião sobre o assunto. O próprio Nedson disse que nos últimas semanas participou, todas as noites, de reuniões em diversos pontos da cidades sempre defendo a proposta de venda da empresa. ''Lógico que tem gente que vai votar de acordo com o amigo, pelo que ouviu dizer, mas o nível de informação hoje está bem maior.''

Nedson já adiantou que, se a proposta da venda sair vencedora, a idéia é investir os recursos em obras de infra-estrutura e que não gerem custeio. A reestruturação dos fundos de vale e a construção dos lagos da zona norte, por exemplo, estão entre os projetos, além de obras viárias e a revitalização do centro. ''Vamos ter que discutir para priorizar'', ponderou, informando que a população poderá participar do processo de escolha dessas obras por meio das associações de bairro e do orçamento participativo.

Já se a proposta da privatização não passar no plebiscito de hoje, Nedson afirma que a idéia é fazer uma gestão enxuta e profissional da Sercomtel Celular, para conseguir amenizar os efeitos da concorrência e ganhar uma sobrevida maior. ''Porque as dificuldades serão enormes, com presença das grandes multinacionais. Mas, se a cidade assim decidir, ela vai estar consciente dos riscos.''

Seja qual for o resultado, o vereador Tercílio Turini avalia que a decisão de realizar a consulta popular, embora polêmica, foi acertada. O próprio Nedson chegou a enviar um projeto à Câmara pedindo a revogação da lei do plebiscito, com a justificativa de que a negociação com a TIM teria que ser rápida, até o final do ano. Acabou derrotado.

''Foi uma de nossas decisões mais acertadas. Porque, depois de eleito, você não recebe um cheque em branco para decidir tudo em nome da população. Existem limites. Imagine se, no caso da Copel, também tivessemos plebiscito. A população nunca ia deixar vender a Copel'', comentou o presidente da Câmara.

mockup