Nedson e secretários tiveram contas vazadas
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quinta-feira, 04 de novembro de 2004
Fernanda Bressan<br> Reportagem Local 
Contas telefônicas detalhadas do prefeito Nedson Micheleti (PT) e do secretário de Obras Aloysio Crescentini de Freitas estão entre os documentos que vazaram da Sercomtel e foram encontrados nas mãos de um detetive particular identificado como Paulo Rodrigues. Além das contas, outros documentos sigilosos da empresa foram retirados ilicitamente. A Promotoria de Investigações Criminais (PIC) está apurando a irregularidade. Até agora, o promotor Claudio Esteves só adiantou que esses documentos foram repassados a terceiros por pessoas do alto escalão da Sercomtel. Esteves não quis falar sobre os nomes e contas telefônicas encontradas com o detetive para não prejudicar o trabalho da promotoria.
Nedson disse ter tomado conhecimento da informação ontem pela imprensa. ''Fiquei surpreso e preocupado'', salientou. O prefeito acrescentou que já sabia que documentos tinham saído da empresa de forma irregular mas nem imaginava que contas telefônicas de sua propriedade estavam entre eles. ''O promotor disse apenas que tinham vazado documentos para o João (Rezende) e ele me repassou a informação'', detalhou, acrescentando que uma sindicância foi aberta na sequência para investigar o caso.
Nedson chegou a suspeitar que o telefone dele e de secretários possam ter sido grampeados. ''Se for verdade que o meu telefone e de secretários foram grampeados, é sinal que o governo foi'', declarou. Ele enfatizou que ninguém viu a conta até agora e está em busca de informações para saber se foi o celular pessoal, da prefeitura ou outro telefone. O prefeito disse ainda ter recebido informações de que contas telefônicas do secretário de Fazenda Wilson Sella também teriam sido vazadas.
Aloysio de Freitas também se disse surpreso com a informação. ''Só tomei conhecimento pela imprensa e levei um susto'', declarou o secretário. Ainda ontem Freitas entrou em contato com o presidente da Sercomtel, João Rezende, para obter mais informações. De acordo com ele, Rezende disse que a empresa estava investigando o caso internamente. ''Vou esperar que a PIC investigue e apure. Não me preocupei mas estou apreensivo em saber quem fez isso e a mando de quem. De repente tem a ver com coisa política'', ponderou Freitas.
Procurado pela Folha, o presidente da Sercomtel disse que desconhecia o fato das contas telefônicas do prefeito e do secretário estarem entre os documentos que saíram de forma irregular da empresa até tomar conhecimento pela mídia. ''Claro que não sabia'', exclamou. Ele relatou ainda ter achado o fato ''muito estranho'' e levantou a suspeita de que fatores políticos podem ter motivado algum funcionário da Sercomtel a vazar as informações. A sindicância aberta na Sercomtel para investigar o caso tem até o próximo dia 19 para concluir os trabalhos. Rezende disse que esse prazo pode ser prorrogado.


