O prefeito Nedson Micheleti (PT) apresentou ao Ministério Público (MP) em Londrina, esta semana, a primeira proposta pelo fim da greve que se arrasta já há quase três meses. A medida, contudo, não tem caráter financeiro e só vale a partir do momento em que os grevistas retornarem ao trabalho: Nedson propôs criar, por decreto, uma comissão de acompanhamento e estudo das contas do Executivo com nomes indicados pela Prefeitura e pelo sindicato que representa os servidores, o Sindserv.
A proposta vai na contramão da reivindicação pelo fim imediato do movimento iniciado no último dia 8 de agosto. Para retornar ao trabalho, o sindicato pede que seja negociada a reposição salarial de 27,53%, índice referente a cinco anos de inflação não incorporada. A sugestão do prefeito é idêntica à firmada em acordo assinado entre ele e o Sindserv, ano passado, pelo fim da greve de 31 dias. Por parte da administração, a comissão de um ano e meio atrás ainda não foi firmada.
De acordo com o coordenador da Promotoria de Investigações Criminais (PIC), promotor Leonir Batisti - um dos interlocutores do MP na greve -, Nedson alegou impossibilidade de reposição este ano e descartou sequer a previsão de um índice mínimo para 2007, no caso de crescimento da receita. O promotor destacou que os representantes da Promotoria não fizeram uma reunião com Nedson, anteontem, ''e sim um encontro em um hotel da cidade''.
''Perguntamos a ele, por exemplo, sobre a possibilidade de a receita aumentar 5% até maio do ano que vem, e a administração conceder 40% desses 5%. Mas a alegação do prefeito é que isso é impossível, uma vez que ele aponta crescimento vegetativo de 2,4% na folha'', afirmou Batisti.
Ainda conforme o coordenador da PIC, outro aspecto colocado pelo prefeito foi a média salarial da categoria: ''Ele nos passou que ela é de cerca de R$ 2 mil, divindo-se o valor mensal da folha (aproximadamente R$ 15 milhões) pelos mais de 7 mil servidores. Para o prefeito, eles recebem bem mais que a iniciativa privada'', declarou Batisti, que não quis comentar o agumento.
O presidente do Sindserv, Marcelo Urbaneja, refutou a possibilidade de a entidade aceitar o retorno ao serviço sem uma proposta financeira. ''Ano passado foi essa mesma história e, mesmo com um documento assinado, o prefeito não cumpriu. Não é agora que a categoria vai acreditar.'' Sobre a média salarial de R$ 2 mil, Urbaneja comentou que ''é alta por esse cálculo porque tem gente que teve até 100% de promoção. Acontece que é uma minoria'', disse, referindo-se ao Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) que beneficiou alaguns setores.
Ontem de manhã, um grupo de 10 grevistas promoveu uma limpeza simbólica do lado de fora da prefeitura, com baldes de água e vassouras. ''Foi uma limpeza cívica, moral'', ironizou Urbaneja. Hoje, a categoria se reúne no local em nova assembléia, às 9 horas. (J.G.)

mockup