Nedson é hostilizado por grevistas da Prefeitura
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sexta-feira, 15 de setembro de 2006
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
Até então restrita à argumentação verbal e à troca de acusações entre as partes, a greve do funcionalismo municipal de Londrina chegou às vias de fato ontem no início da tarde. A paralisação iniciada em agosto pela reposição de 27,53% de perdas salariais, e que completa hoje 40 dias, já é a maior na história da categoria. O clímax do impasse foi atingido durante o primeiro encontro entre os grevistas e o prefeito Nedson Micheleti (PT), mas de forma involuntária desde que o movimento começou.
Em número modesto no início, servidores e diretores do sindicato que representa a categoria, o Sindserv, se aglomeraram em frente a um hotel da Rua Quintino, próximo ao Calçadão. Por fonte não revelada, souberam que Nedson estaria reunido no local com representantes da Câmara de Vereadores e da administração municipal e deram início aos gritos de protesto. A meta, segundo os sindicalistas, era ''forçar uma negociação'', já que métodos distintos haviam sido frustrados nas últimas semanas.
Em pouco mais de duas horas, o volume de manifestantes aumentou. O diretor de operações da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanizaão (CMTU), Fábio Reali, confirmou que o petista estava ali e que sairia entre os servidores.
A saída do prefeito foi marcada por cenas de confronto: entre a porta de vidro do hotel e o veículo Palio à saída do estacionamento, Nedson foi alvejado por gritos de revolta, críticas e servidores de dedo em riste tentando impedir a entrada dele no automóvel. O prefeito permaneceu calado durante quase todo o tempo. Dois seguranças tomaram a frente e separaram os funcionários que se punham como obstáculo à passagem.
Já dentro do carro, no lado do passageiro, Nedson ainda viu servidores batendo no vidro, enquanto outros sentavam ou deitavam no capô, tentando impedir a passagem - novamente, os seguranças entraram em cena. Uma barricada com faixas e bastões de madeira tentou fechar caminho na rua, metros adiante do estacionamento, mas o Palio desviou, arrancando.
O presidente do Sindisrv, Marcelo Urbaneja, explicou que o ato é a resposta do funcionalismo ao aviso de que a administração vai endurecer a postura contra a greve. Urbaneja se referiu à ameaça de cortes dos dias parados e de possível atraso no pagamento do 13º salário, como informou Nedson em entrevista publicada ontem na Folha.
''Vamos atrás do prefeito onde ele estiver; esgotamos nossas possibilidades de tentar uma negociação. Se ele vai endurecer, vamos endurecer na mesma medida'', declarou o sindicalista. Questionado se avalia como positiva iniciativas feitas à base da pressão - afinal, a meta era forçar um acordo -, resumiu: ''Se alguém tiver sugestão de como arrancar algum índice de reposição salarial, nós aceitamos. Muitas pessoas não servidoras querem uma negociação; agora é a hora de a sociedade se organizar e fazer algo''.
Presente à reunião de que Nedson participava no hotel, o chefe de gabinete Ródne Lima afirmou que o encontro entre eles, o vereador Luiz Carlos Tamarozzi (PTB) e o secretário municipal de Governo, Adalberto Pereira da Silva, tratava justamente dos rumos da paralisação. Contudo, Lima não quis adiantar o teor dos ''30, 40 minutos de reunião''. ''Como não terminamos a discussão próximo a um ponto de conclusão, não dá para falar nada'', encerrou.
Além desse encontro, os grevistas ainda tentaram abordar o prefeito de manhã, no Parque Ouro Branco (Zona Sul), quando Nedson acompanhava solenidade da Sanepar com a presença do governador interino, Hermas Brandão (PSDB). Porém, os manifestantes perderam o alvo por questão de minutos - o prefeito foi mais rápido, e as partes sequer cruzaram.


