Nedson diz que Igreja não interferiu
O candidato a prefeito de Londrina do PT, Nedson Micheletti, afirmou ontem que a Igreja Católica não manifestou apoio oficial à sua candidatura no primeiro turno das eleições municipais. Segundo ele, o apoio foi referendado por padres com quem ele mantém ligação, desde quando foi candidato a deputado federal e posteriormente ao Senado. Anteontem, o candidato derrotado, o deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB), se pronunciou no plenário da Câmara, em Brasília, e criticou o que chamou de interferência da Igreja.
São pessoas amigas, que foram meus colegas e meus professores, afirmou Nedson. Ele foi seminarista em Londrina, entre 1976 e 1980, e mantém um relacionamento pessoal com vários colegas do seminário. Eles não me apóiam para marcar posição contra o presidente FHC, mas por me conhecerem, afirmou.
Ontem, Nedson e o assessor de comunicação da Arquidiocese de Londrina, padre Manoel Joaquim Rodrigues dos Santos (citado no discurso de Hauly), almoçaram juntos. O candidato disse que o padre é da linha de frente na sua campanha, até por ser da direção local do PPS, partido que faz parte da coligação. O padre é o responsável pela paróquia frequentada por Hauly.
Ontem, o padre Manoel Joaquim disse que o tucano não tem razão quando fala do envolvimento da Igreja na campanha. A Igreja, como instituição, não se manifestou, afirmou. Segundo ele, três padres declararam apoio explícito ao petista. E, surpreendentemente, a resposta foi uma avalanche de votos. Ele observou que os três padres têm uma história de envolvimento social, o que lhes dá credibilidade. (Isso) levou à migração de votos.
Na opinião do padre Manoel Joaquim, Hauly deveria parar de se justificar, creditando sua derrota à Igreja. Ele deveria analisar a derrota através de outros fatores, como a sua campanha, por exemplo, analisou.
O candidato a vice-prefeito da coligação encabeçada pelo PDT, Assad Jannani (PPB), também não acredita no envolvimento da Igreja na campanha do PT. O resultado das urnas é uma decisão do povo, que mostrou insatisfação com a classe política, afirmou Jannani. (Pedro Livoratti e Lucilia Okamura)





