O prefeito de Londrina, Nedson Micheleti (PT), atribuiu o impasse nas negociações com o Sindicato dos Servidores Municipais (Sindserv), que conduz a greve dos trabalhadores, à intenção da direção do Sindserv em desgastá-lo politicamente. A greve completa hoje 28 dias.
Nedson concedeu uma entrevista ontem à Folha na sala da presidência da Sercomtel, onde avaliou a condução das negociações e reafirmou a impossibilidade financeira do município em conceder os 21% de reposição salarial reivindicados pela categoria. No momento da entrevista, uma carreata promovida pelo sindicato passou perto da companhia telefônica e o ''buzinaço'' pôde ser ouvido pelo prefeito. ''Até antes do começo da greve a diretoria optou por um caminho de desgaste, de ataques pessoais ao prefeito e ao seu partido político. Antes de começar a paralisação eles soltaram um panfleto dizendo: 'PT - Partido dos Traidores'. Não tem muito a ver com a greve e sua reivindicação. Até interessante que a categoria exponha quais são os problemas dos servidores'', comentou.
''Quais são mesmo os problemas. Ganham pouco? Não é. Estão sendo explorados? Não estão. A jornada de trabalho deles é penosa, exploradora? Não é verdade. Não houve respeito a eles nas condições que a prefeitura tinha de reposição? Também não é verdade. Em 2003 e 2004 tiveram 27% de reajuste. Qual é de fato, o problema do servidor que justifica uma greve de 30 dias, prejudicando parte do atendimento em educação e parte do atendimento na saúde'', questionou.
Segundo o prefeito, o sindicato ''forçou uma politização pesada no encaminhamento da greve''. ''Foi assim desde o início, passando inclusive informações e números que não eram verdadeiros à categoria, como é a questão de reposição de 21%, como é a condição de que poderíamos dar o reajuste já e que depois no decorrer da greve ficou comprovado de que não é nada disso, mas aí a greve já tinha começado.'' Para Nedson, esse encaminhamento é reflexo das eleições de 2004. ''O grupo político que está ali é afinado com o prefeito que eu derrotei na eleição passada'', se referindo ao ex-prefeito Antonio Belinati (PSL), que disputou o segundo turno das eleições. ''Eu não consigo explicar de outra maneira do por quê uma direção de um sindicato, antes até de começar uma greve, das negociações andarem, ir ao Calçadão distribuir um panfleto: 'PT - Partido dos Traidores'. O que tem a ver negociação salarial, que estava em andamento, nem greve marcada ainda, e ir ao Calçadão distribuir um panfleto desse. Só mesmo analisando nessa ótica, de que a diretoria do sindicato tinha objetivo político.''
Nedson ainda descartou qualquer incremento salarial, como deve propor o sindicato esta semana. De acordo com o presidente do Sindserv, Marcelo Urbaneja, deve ser encaminhada uma proposta que prevê, além do acompanhamento da arrecadação e da compensação dos dias parados pelo banco de horas, a concessão de um abono escalonado, com valores diferenciados conforme os vencimentos. ''Repito. Não tem condições financeiras para isso. Se tivesse condições já teria feito antes da greve. Se eu tivesse condições de caixa para achar um caminho de um valor financeiro já teria resolvido antes. Para quê iria esperar uma greve de 30 dias? O sindicato sabe disso e deveria também ter pensado muito antes de jogar a categoria em uma greve sem a mínima condição de ter uma solução financeira. Na verdade o sindicato colocou a categoria em um aventura e eles tinham informações de que seria assim'', concluiu.

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