As declarações do candidato ao governo pela oposição, senador Roberto Requião (PMDB), durante a apresentação da chapa majoritária PMDB-PDT-PT, ontem em Curitiba, provocaram mal-estar. O senador disse que o palanque do grupo está aberto para o candidato do PSDB ao Senado, ex-governador Álvaro Dias, e que não vai impedir que nenhum peemedebista empreste apoio formal e faça campanha em favor do tucano.
Requião colocou sua posição em público, ao lado do candidato da coligação ao Senado, deputado federal Nedson Micheleti (PT), e do candidato a vice, ex-deputado Nelton Friedrich (PDT), na sede do PMDB, em Curitiba, à tarde. Os dois sempre manifestaram-se contra qualquer aceno com o PSDB de Álvaro Dias, considerado pelo PT e pelo PDT suporte do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB) no Paraná.
‘‘Não terá veto ao Álvaro. É claro que há setores do PMDB que pensam assim. O partido não é monolítico nem facista. Não vamos proibir, por exemplo, que em determinado município um candidato do PMDB a deputado apóie o Álvaro’’, insistiu Requião. ‘‘Mas o Nedson não vai se preocupar com isso’’, emendou, na tentativa de consertar. ‘‘O Álvaro não é nosso adversário. E a candidatura do Nedson não é brincadeira’’, observou.
Constrangido com as declarações de Requião, Micheleti tratou de minimizar. ‘‘Nosso projeto é nacional. A visão deles (PSDB) e a do Lerner é a mesma do presidente Fernando Henrique’’, reagiu o petista, que não gostou da idéia de abrir seu palanque para Álvaro Dias. ‘‘Não tem conversa. O Paraná vai eleger apenas um senador’’, afirmou. Minutos antes da apresentação oficial da chapa, o candidato do PT garantia empenho do PMDB em sua candidatura, o que não se evidenciou.
Indicado pelo presidente nacional do PDT, via fax, na noite da última terça-feira, Nelton Friedrich, partiu para o ataque contra os adversários. O ex-deputado disse que não teme ser vinculado ao governador Jaime Lerner (PFL) pelo anos que permaneceram na mesma sigla, o PDT. ‘‘O governador estava albergado. Eu o conheço muito bem. E a sua filiação no PFL foi uma prova para nós de que ele voltou para o lugar de onde nunca deveria ter saído’’, atirou Friedrich.
O candidato do PMDB aproveitou a apresentação da chapa para revelar algumas de suas propostas de governo. Requião voltou a criticar a cobrança do pedágio. Para Requião, como a eleição está polarizada, o ideal seria que ele e Lerner dividissem por dois os tempos dos partidos na tevê e no rádio, transformando a campanha num ‘‘debate’’.

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