Nedson descarta mudanças na Sercomtel
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terça-feira, 22 de março de 2005
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
O prefeito de Londrina, Nedson Micheleti (PT), descartou ontem qualquer possibilidade de alteração na gestão da Sercomtel no que diz respeito à parceria com a Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel). A declaração do petista vai de encontro ao pedido de auditoria feito pelo governador Roberto Requião (PMDB), no fim de semana, e ratificado anteontem pelo vice-presidente da telefônica, Oscar Alberto Bordin. O vice representa um dos dois cargos nomeados pela Copel, além da diretoria de Participação.
Em entrevista à Folha, Bordin reclamou do baixo retorno financeiro dado ao investimento de US$ 150 milhões feito em 1998, quando a estatal comprou 45% das ações da Sercomtel. ''Em 2004, tivemos lucro inferior a 1%'', exemplificou. A acionista majoritária é a Prefeitura de Londrina, com os restantes 55%.
Ontem, Nedson afirmou ter recebido com ''naturalidade'' o pedido de auditoria interna, mas negou que isso garanta alguma mudança nas atuais diretorias especialmente as de Finanças e Administrativa, hoje acumuladas pelo funcionário de carreira da Sercomtel, Luiz Shiroma. ''Dentro da área deles, se quiserem, até podem ampliar o número de diretorias. Não dá para querer, como acionista minoritário, nem a financeira nem a de administração'', declarou o prefeito, que também é contra o desmembramento do cargo de Shiroma. A proposta havia sido feita no último dia 22 de fevereiro pelo diretor de Gestão da Copel em Curitiba, Luiz Antonio Rossafa.
Em fax endereçado ao presidente da telefônica londrinense, João Rezende, Rossafa sugeria a separação das funções e um nome à diretoria financeira: o do ex-vereador Leonilso Jaqueta (PMDB), vice na chapa da deputada estadual Elza Correia (PMDB) à Prefeitura e indicado, segundo Elza, pelo próprio Requião. A proposta foi recusada na assembléia de acionistas feita em 22 de fevereiro. Nedson elogiou Jaqueta e minimizou a conotação política do pedido de nomeação dele, mas admitiu que ela existe. ''Qualquer nomeação tem caráter ou perfil político, até a do Paulo Bernardo (para o Ministério do Planejamento, ontem) teve'', desdenhou.
Na avaliação de Nedson, a Copel estaria hoje esperando retorno financeiro de um negócio que, ''na verdade, tem origem política''. Ele se refere à parceria feita em 98 na época do então governador Jaime Lerner (PSB) e do prefeito Antonio Belinati (PSL) a qual, hoje, não estaria trazendo vantagens à Sercomtel. ''Pelo contrário, pagamos uma fortuna de fibra ótica à Copel, de onde sentimos que vem a resistência para ampliar os negócios da parceria'', considerou, referindo-se a comentário de Oscar Bordin de que a Sercomtel deveria se dedicar a uma expansão dos serviços além da região de Londrina. ''Eles que avaliem se é importante apostar na Sercomtel; estamos preparados hoje para um possível rompimento'', sinalizou o prefeito.
Hoje, às 14 horas, diretores da Copel na Capital, entre os quais Rossafa, estarão na assembléia que discutirá na Sercomtel as propostas de gestão e os prováveis modelos e datas da auditoria.


