A pouco mais de dois meses para deixar a cadeira que ocupou nos últimos oito anos, o prefeito de Londrina, Nedson Micheleti (PT), admitiu ontem que o ''sumiço'' dele durante a campanha eleitoral, sobretudo nos programas de rádio e TV do amigo e candidato de seu partido, André Vargas, está relacionado à desaprovação ao governo municipal por boa parte da população, como constatado em pesquisas recentes com índices que superam os 70%. Por outro lado, o petista - primeiro prefeito reeleito da história de Londrina - descarta que essa rejeição tenha de alguma forma favorecido a campanha de seu ex-adversário político, Antonio Belinati (PP): eleito no último domingo com 51,73% do eleitorado, contra 48,27% de Hauly. Belinati adotou ao longo do primeiro e segundo turnos críticas à atual administração - não raro - em tom jocoso.

Segundo Nedson, a ausência dele nos programas do PT foi ''estratégica para que pudéssemos apresentar a figura central do André, sem o desgaste do meu governo''. E emendou: a vitória belinatista, a qual evitara no segundo turno de 2004, ''não tem nada a ver'' com a rejeição à gestão atual. ''No segundo turno a campanha foi do PSDB e do Belinati. Isso não tem relação alguma comigo.''

Em entrevista à FOLHA, no gabinete, o prefeito falou não apenas da campanha, mas do que deixa para seu sucessor, sua expectativa, já que o petista integrou o Movimento pela Moralidade que antecedeu a cassação de Belinati, em junho de 2000, os planos dele e do PT frente à nova administração e, claro, o julgamento (adiado duas vezes e remarcado para hoje à noite) do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a impugnação de Belinati, proposta pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE).

Obras pendentes

A reportagem quis saber: fica alguma obra para o próximo prefeito terminar? ''Várias. São escolas e quadras esportivas sendo reformadas, o viaduto da (Avenida) Ayrton Senna, e obras de menor porte como a da praça Rocha Pombo, prevista para dezembro ou início do ano, assim como a reforma da Praça Nossa Senhora Aparecida, em frente ao Santuário, além da duplicação de trecho da Avenida Leste-Oeste'', enumerou, com uma ressalva: ''Mas todas têm recurso já em caixa para o pagamento'', garantiu, sem especificar quantas são as pendências nesse sentido. O petista disse ainda que deixará superávit e minimizou as promessas de campanha pela reposição salarial dos servidores municipais, os quais, em 2005 e 2006, fizeram 137 dias de greve. ''Vi o Hauly e o Belinati sinalizando que dariam solução às perdas salariais, mas, com o orçamento do ano que vem (de cerca de R$ 700 milhões), ou o novo aumenta a receita, ou não terá outra saída para cumprir a promessa'', avistou.

TSE

Questionado se a demora no julgamento da candidatura de Belinati, em Brasília, influenciou o eleitor, o prefeito definiu: ''Uma decisão da Justiça poderia ter influenciado ou mudado o resultado totalmente. Isso prejudicou o processo eleitoral, sem dúvida, pois não se sabe se o ex-prefeito tem ou não culpa nos processos de corrupção que levaram à cassação e à prisão. Quem deveria dar uma palavra para isso - foi acionado para isso -, mas não deu, foi o TSE. Mas é um processo complexo, e os ministros estão lotados esses dias. Como o caso do Belinati criaria uma jurisprudência importante, demanda uma análise mais profunda, só que Londrina ficou sem resposta '', concluiu.

2009

A partir de janeiro, o prefeito garante que volta à função de técnico bancário na Caixa Econômica Federal (CEF), onde está lotado há 26 anos. Paralelamente, disse - que não descarta disputar 2010, ''se o partido e a conjuntura assim entenderem'' -, o PT (com três vereadores, novamente, na próxima Legislatura) será oposição. ''Mas não da forma sistemática como recebi oposição dos vereadores ligados ao ex-prefeito, nesses oito anos, com abstenções a projetos até importantes para a cidade. Será uma oposição política: o que for importante para Londrina, não tem por que sermos contra.''

E, de zero a 10, que nota dá para seus oito anos? ''Quem tem de dar nota são as pessoas - mas ao fazerem isso, que levem em consideração o cumprimento à lei, senão, só a demagogia passa a ter valor político. E isso é muito ruim.''

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