O Comitê Financeiro da Prefeitura de Londrina divulgou ontem uma lista de dívidas que terão prioridade de pagamento, totalizando R$ 8.242.984,77. A relação é composta por débitos junto a instituições financeiras, fornecedores diversos e entidades sociais, mas não há prazo para serem quitados. A elaboração da lista foi o primeiro trabalho realizado pelo grupo, criado oficialmente ontem de manhã, através de decreto assinado pelo prefeito Nedson Micheleti (PT). O comitê vai centralizar o gerenciamento das finanças e da contabilidade do município.
Integram o comitê os secretários de Fazenda, Paulo Bernardo; de Administração, Rubens Menoli; de Governo, Jorge Coimbra; e o Procurador Geral do município, Carlos Scalassara. A equipe vai ter a incumbência de operacionalizar as medidas emergenciais anunciadas pelo prefeito na terça-feira, instituídas com o objetivo de conter despesas e sanear as transações financeiras que envolvem dinheiro público.
Caberá ao comitê autorizar o pagamento de dívidas e pedidos de compras vindos das secretarias e autarquias. Também controlará a entrada de recursos no caixa. As dívidas do município totalizam R$ 530 milhões, sendo que a maior parte é da Companhia de Habitação (Cohab) junto à Caixa Econômica Federal – R$ 320 milhões.
A relação de prioridades está dividida em oito partes. Em primeiro lugar devem ser saldados débitos com bancos e outras instituições, que totalizam cerca de R$ 1,3 milhão, referentes a empréstimos, seguros e compras que foram descontados da folha dos servidores mas não foram repassados aos credores. Depois, serão feitas as transferências no valor total de R$ 733,8 mil para entidades subsidiadas pela prefeitura, entre elas as sociais, que têm R$ 141,3 mil do mês de novembro a receber.
A terceira prioridade são os 852 fornecedores diversos e os 245 processos de devolução de impostos pagos em duplicidade, que totalizam R$ 1,6 milhão. Nesses casos, serão privilegiados os fornecedores com dívidas menores que R$ 500,00. Por fim, a prefeitura saldará débitos com obras (R$ 186,3 mil), contas de água da Sanepar (R$ 2,3 milhões), contas de telefone da Sercomtel (R$ 326,2 mil), o repasse para a Câmara Municipal (R$ 432,4 mil) e faturas do Pavilon (R$ 1,3 milhão).
Paulo Bernardo ressaltou que não existe previsão de pagamento. Ontem, havia R$ 297 mil no caixa da prefeitura. Desde que Nedson assumiu, no dia 1º, só foi liberado R$ 1,8 milhão para pagar a parcela restante do 13º salário dos servidores. Ele disse que ainda não há previsão de quando será efetuado o pagamento do salário de dezembro.
Os membros do Comitê Financeiro se reunirão semanalmente para definir a prioridade no destino de recursos e a forma como os pagamentos serão feitos. Após tomarem a decisão, enviarão as contas para serem avaliadas pela equipe do auditor Osvaldo Alves de Lima, que investigará a origem do gasto e se ele é realmente necessário. A situação do caixa municipal será informada diariamente ao prefeito.

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