O prefeito de Londrina, Nedson Micheleti (PT), revelou ontem o conjunto de obras que pretende realizar com o dinheiro da venda da Sercomtel Celular, caso o negócio seja concretizado. Além de investir 10% dos recursos na expansão da telefonia fixa, ele defendeu a elaboração de um Plano de Investimentos, previamente aprovado pela Câmara de Vereadores. ‘‘Não vamos colocar nenhum centavo para o custeio da máquina ou pagamento de dívidas’’, garantiu.
Nedson aponta como prioridade a construção de um complexo de lagos na região norte de Londrina, cujos projetos já foram elaborados pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (IPPUL). ‘‘Estaremos atraindo o mercado imobiliário para a zona norte, valorizando aquela região’’, comentou. Ele também defende uma reformulação da área central, abrangendo a Praça Rocha Pombo e toda a área em volta do Terminal Urbano, hoje ocupada pelos camelôs.
Outra obra defendida pelo prefeito é uma transposição no cruzamento das avenidas Higienópolis com a a Juscelino Kubitscheck, além da pavimentação em bairros e distritos e construção de creches. ‘‘São 12 mil crianças sem creche, segundo o Ministério Público’’, justificou.
O prefeito não escondeu a preocupação com o ‘‘rescaldo’’ do esquema de corrupção em Londrina – os recursos da venda de 45% das ações da Sercomtel para a Copel (R$ 186 milhões) teriam financiado os desvios. ‘‘Vamos definir o rol de obras antes de vender a empresa’’, assegurou.
Na próxima semana, a Câmara vai receber um projeto revogando a lei que exige a realização de um plebiscito para decidir se a Celular deve ser vendida. ‘‘Não queria tomar essa medida, mas no plebiscito a prefeitura não poderia se posicionar e enfrentaria uma campanha política’’, analisou. Nedson disse ainda que antes da votação pretende discutir o assunto com os vereadores e afirma que o risco é calculado. ‘‘A responsabilidade final é minha, faça ou não faça o plebiscito.’’ Segundo ele, já existem pessoas manipulando a opinião pública contra a venda da Celular. ‘‘Já estão dizendo que o cidadão vai perder o seu telefone fixo’’, comentou.
A argumentação para a venda da Celular é que a empresa só opera em Londrina e não terá condições de manter preços baixos e competir com os grupos que irão operar as bandas C, D, e E na telefonia móvel celular. A Celular tem aproximadamente 50 mil clientes e no ano passado foi avaliada em US$ 113 milhões: 45% das ações da Celular pertencem à Copel.
Nesta semana, a Sercomtel encaminhou à Procuradoria Geral do município um esboço do processo licitatório para a contratação de uma empresa de consultoria, que irá avaliar os ativos, passivos e o valor da empresa no mercado. ‘‘A idéia é fazer esse edital o mais rápido possível’’, afirmou o presidente da Sercomtel, Francisco Roberto Pereira. Segundo ele, a consultoria deve custar em média R$ 300 mil. Será escolhida aquela que apresentar melhores condições técnicas, financeiras, além da rapidez.

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