Nedson defende estadualização com venda de ações
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terça-feira, 24 de abril de 2007
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
A partir de hoje, o rumo a ser adotado ante a estadualização da Sercomtel depende de posicionamento formal da Copel, acionista minoritária com 45% do grupo. Ontem, porém, o prefeito Nedson Micheleti (PT) manifestou que a intenção da administração - dona de 55% das ações - é que a estatal efetue aporte de capital com a compra de uma parcela do bolo acionário, o que significaria entrada de recursos nos cofres municipais. O governo do Estado adquiriu as ações em 2000 por R$ 186 milhões, valor que Nedson julga ser ''bem menos'', hoje, se ocorrida a mesma transação.
A expectativa do prefeito foi anunciada ontem de manhã, na Prefeitura, logo após ele ter recebido o estudo que aponta viabilidade técnica, comercial e jurídica na estadualização. Cópia do documento entregue a Nedson pelo presidente da Sercomtel, Gabriel Campos, e por representantes do grupo que fez o levantamento foi repassado também a membros da Câmara de Vereadores e, de forma resumida, à imprensa. No fim do dia, a íntegra do relatório foi disponibilizada no site da telefônica (http://home. sercomtel.com.br). Ainda esta semana, o chefe do Executivo entrega o resultado da análise à Copel - o que pode ocorrer hoje, durante assembléia geral anual dos acionistas.
O estudo aponta como alternativas viáveis aos sócios o aporte de capital, a venda de parte das ações à Copel e o aporte com compra acionária que permita a troca de comando dentro do grupo. ''Creio que o melhor caminho é a compra de parte das ações porque isso não representa a privatização. A Copel investiria o necessário para estadualizar, a Sercomtel cresceria e aumentaria a nossa arrecdação'', defendeu.
O prefeito preferiu não citar o percentual que a administração estaria disposta a oferecer - avisou que vai depender ''do quanto e do que a Copel propuser''. Sobre o programa que seria adotado aos recursos que poderiam entrar no Município, contudo, minimizou: ''Se vierem, serão recursos muito pequenos, uma vez que a intenção é vender apenas um volume de ações necessário à transferência de comando acionário. É um valor muito pequeno'', declarou.
Já o presidente da Sercomtel se mostrou favorável ao aporte de capital do Estado sem compra de ações. ''É mais transparente, dada a questão dos recursos que entrariam'', comentou Campos. ''Mas, caso haja ingresso de recurso, o prefeito já informou que ele não seria utilizado para custeio de despesa, e sim, a eventuais investimentos.''
Durante boa parte das entrevistas concedidas ontem de manhã, no gabinete, tanto Campos quanto Nedson insistiram em reforçar uma suposta impossibilidade de demissões, bem como o potencial cliente que o governo venha a se tornar da Sercomtel. Segundo Nedson, o Executivo estadual não emitiu posicionamento formal nesse sentido. ''Não, pois o governador manifestou isso como uma vontade política, um desejo dele'', resumiu o prefeito.
A assessoria de imprensa da Copel, em Curitiba, admitiu que a empresa também tem uma ''hipótese de preferência'' na estadualização - afinal, foi a estatal que solicitou a análise de viabilidade. Entretanto, o órgão informou que a manifestação oficial só ocorrerá depois de o presidente, Rubens Ghilardi, tomar conhecimento do relatório.


