Nedson defende ampliação das tercerizações
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quinta-feira, 08 de março de 2007
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Se depender do prefeito Nedson Micheleti (PT), Londrina não apenas continuará gastando mais da metade do orçamento com terceirizações, como também ampliará a participação da iniciativa privada no serviço público municipal. Conforme a FOLHA revelou esta semana, um levantamento preliminar da administração apontou que dos R$ 484 milhões executados ao longo de todo o ano passado, mais de R$ 259 milhões - ou 53% - foi destinado a empreiteiros (R$ 238,7 milhões), e fornecedores de água, luz e telefone (cerca de R$ 21 milhões, ao todo).
A afirmação do prefeito foi uma espécie de recado às críticas recebidas nas últimas semanas a uma forma de contratação que, admite ele, já representa ''a maioria dos serviços e obras que a Prefeitura faz''. Na semana passada, a terceirização dos serviços de logística a um custo aproximado de R$ 9,2 milhões foi alvo de ação popular assinada pelo Sindicato dos Servidores Municipais (Sindserv). Na ocasião, a entidade questionara suposto direcionamento no processo em favor de uma empresa de Barueri. Declarado fracassado por questões aparentemente técnicas, nos últimos dias, o pregão eletrônico pode ser refeito na semana que vem.
Na última segunda-feira, foi a vez de as terceirizações do Município serem questionadas formalmente, dessa vez por meio de ofício protocolado pelo deputado federal Alex Canziani (PTB). O documento tem prazo de 15 dias para ser respondido. Na terça-feira, a chefe da Diretoria de Contas Municipais do Tribunal de Contas do Paraná (TC-PR), Luciane Franco, foi enfática: 53% de um orçamento municipal dispendidos unicamente com serviços e fornecimentos de terceiros ''é um valor muito alto''.
Segundo Nedson, o percentual não apenas ''não está alto'', como pode ser dilatado. ''Espero que aumente, pois espero conseguir muito dinheiro para muitas obras. E serão todas terceirizadas: não vou contratar funcionário público para fazer obras com o dinheiro que conseguirmos do Estado ou do governo federal'', disse. ''Se contrato um servidor por concurso (como defende o TC-PR), ele acaba a obra e não posso demiti-lo (em função da estabilidade). Quem questiona esse processo de terceirização, na verdade, mistura serviço terceirizado com terceirização de mão-de-obra'', rebateu.
Nedson se refere aos custos com terceirização utilizada em caráter de substituição no ano passado - valor bem inferior aos R$ 259,7 milhões. Nesse caso, foram pouco mais de R$ 6,3 milhões computados como gastos com pessoal, segundo a prestação de contas oficial.
''Serviços que possam ser feitos por empresas privadas a Prefeitura de Londrina não vai mesmo fazer - não é papel nosso, devido ao custo-benefício e à agilidade para fazê-lo. Tudo aquilo que o setor privado puder fazer, vamos estar contratando empresa privada.''
O secretário municipal de Fazenda, Wilson Sella, vai em linha idêntica à do prefeito quando o assunto é a redução dos 53%. ''Como cortar água, energia, combustível? Não vejo possibilidade de reduzir esse índice'', concluiu.


