Nedson critica proposta; Ceal questiona Câmara
A proposta de extinção do CMPU não é a primeira investida da Câmara de Vereadores contra um órgão técnico da Prefeitura. Ano passado, acabou não vingando o projeto de lei que pedia a extinção do Insituto de Pesquisa e Planejamento Urbano (Ippul), após troca de acusações entre parlamentares e o presidente do Ippul, Luís Figueira.
Ontem, o prefeito Nedson Micheleti (PT) afirmou via assessoria de imprensa que é contrário à extinção do Conselho, já que esse tipo de organização seria ''uma forma de a comunidade organizada participar da administração pública''. Entretanto, o chefe do Executivo não quis comentar outras alterações sugeridas pela Câmara.
Para o presidente do Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina (Ceal), engenheiro Nelson Brandão, criticou a posição do Legislativo em defender a extinção - na votação que teve apenas três votos contrários - do Conselho. Para ele, o órgão funciona como ''elo de ligação entre a sociedade civil e os projetos discutidos''. Brandão reforçou o posicionamento do Clube contra as mudança de zoneamento feitas nos últimos anos pelos vereadores, o que, na avaliação do engenheiro, é prejudicial ao analisar mais aspectos políticos que de desenvolvimento da cidade. ''Nesse sentido é que o CMPU é uma espécie de 'freio': não se pode, por exemplo, implantar uma indústria poluidora perto de área residencial'', citou.
Para o vereador Flávio Vedoato (PSC), é legítima prerrogativa do legislativo nesse sentido. ''A Câmara é uma Casa democrática; o Ceal que coloque nas nossas vagas arquitetos e engenheiros. E sou dos que mais fazem isso (alteração de zoneamento e do Plano Diretor), pois sou o que mais entendo - sou corretor de imóveis'', justificou.
Dois projetos assinados este ano por Vedoato - um sancionado, outro vetado por Nedson - até chegaram a receber parecer contrário do CMPU, mas seguiram adiante. Ambos beneficiam indiretamente a empresa Global Energy and Telecomunication (GET), na Gleba Palhano (Zona Sul), que em dezembro recebeu terreno de 11,5 mil metros quadrados (R$ 1,2 milhão) de doação. Como a GET não obteve o alvará em função do atual Plano Diretor, Vedoato propôs projeto que permitia a instalação de fábricas de inseticidas, tintas, solventes, fungicidas e de outros produtos químicos em Zona Comercial 3 (ZC-3). A lei sancionada retirou da classificação de ''empresa de risco ambiental moderado'' os empreendimentos com área construída superior a 2,5 mil metros quadrados - caso da GET. (J.G.)





