Nedson crê em mudança na eleição da Câmara
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quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
Fábio Cavazotti<br>Reportagem Local 
O prefeito Nedson Micheleti (PT) mostrou-se reticente quanto à coesão do grupo de 12 vereadores que formaram uma chapa que indicou a vereadora Sandra Graça (PP) para presidir a Câmara Municipal a partir de 1º de janeiro de 2009. Se a composição se mantiver até lá, Sandra deverá assumir interinamente a Prefeitura de Londrina até o término do novo segundo turno, que terá a participação dos deputados federais, Luiz Carlos Hauly (PSDB) e Barbosa Neto (PDT).
Nedson acredita, porém, que o grupo poderá se desfazer nos próximos dias. ''Muita água ainda vai rolar até o dia 1º de janeiro'', disse. ''A eleição da Câmara é igual jogo de futebol: só se decide na hora do jogo'', comparou.
A composição do grupo que uniu PP, PDT e siglas menores, alijou do processo o PT e o PSDB, as duas outras grandes forças do Legislativo. O PT vinha se articulando em torno do nome de Jairo Tamura (PSB) e o PSDB lançou Roberto Kanashiro.
Para o prefeito, houve precipitação de alguns vereadores que, por serem novos, não teriam a dimensão da ''gravidade'' da escolha de Sandra Graça - aliada política de Antonio Belinati (PP). ''Muitos vereadores estão entrando agora na política, não conhecem bem a história ainda e a vinculação forte que a Sandra Graça tem com o Belinati'', declarou Nedson. ''Acho que esses vereadores vão rever sua posição. Se a Justiça cassou o Belinati, a Câmara vai devolver o mandato para ele? Eu não acredito que isso vai acontecer'', afirmou.
Nedson acrescentou ainda que não pretende participar diretamente da articulação contrária à eleição de Sandra Graça e deixará o trabalho para vereadores e representantes do PSDB e PT.
Segundo ele, a Executiva Municipal do PT já decidiu não apoiar a candidatura da vereadora pepista. ''O PT vai apoiar um candidato que represente uma interinidade neutra; que não vá fazer uma opção prévia por este ou aquele prefeito no chamado terceiro turno'', afirmou. ''Temos que nos articular para impedir que Belinati assuma a Prefeitura de Londrina outra vez.''
Independentemente do que for decidido, Nedson afirmou que estará à disposição do novo prefeito. ''Poderemos deixar uma ata pronta, pré-preenchida para que tudo se encaminhe e o novo prefeito possa assumir e direcionar a cidade.''
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, afirmou ontem, durante visita à Santa Casa, que a cidade não tem nenhum vereador com respaldo político para assumir a Prefeitura de Londrina. Ele considerou irrelevante o fato de a vereadora Sandra Graça (PP) fechar acordo com 12 vereadores para a composição da Mesa Diretora da Câmara, deixando de fora o PT e o PSDB. ''Isso é irrelevante. O maior problema enfrentado em Londrina foi a 'trapalhada jurídica' que permitiu a participação de (Antônio) Belinati na eleição.''
Paulo Bernardo afirmou que a comunidade londrinense precisa estar atenta para avaliar o que o prefeito interino irá fazer até a realização do novo segundo turno. ''É preciso saber o que será feito nesse período. Nedson está deixando a cidade organizada e isso precisa ser mantido.''
PMDB
O vereador eleito Tito Vale (PMDB) poderá ser a primeira defecção do grupo. Ontem, ele admitiu que poderá retirar seu nome se o PMDB, que marcou reunião para sexta-feira, desaconselhar a composição. Em nota oficial, o partido afirmou que o voto do vereador será orientado pela executiva municipal. Tito Vale disse que vai tentar convencer a sigla a referendar o apoio, mas seguirá a decisão partidária se o posicionamento for contrário.
''Assinei um documento compondo a chapa, mas até casamento se desfaz no altar. Não vou ficar em linha de tiro e colocar meu mandato em risco'', afirmou. (Colaborou Marta Ortega/Reportagem Local)


