O prefeito eleito de Londrina, Nedson Micheleti (PT), confirmou ontem o nome do secretário estadual da Fazenda do Mato Grosso do Sul, o ex-deputado federal Paulo Bernardo (PT), como titular da secretaria da Fazenda no município a partir de de 2001. O convite foi feito na semana passada e aceito oficialmente no final da manhã de ontem.
Paulo Bernardo é o segundo nome do primeiro escalão divulgado pelo novo governo. O primeiro foi o do advogado Wilson Sella, assessor jurídico do prefeito eleito, mas Nedson ainda não revelou qual pasta ele vai ocupar. O restante da equipe deve ser anunciado de uma só vez, até sexta-feira da semana que vem.
Nedson disse que abriu exceção a Paulo Bernardo, anunciando antecipadamente o convite, por causa do cargo que o ex-deputado ocupa no governo de Zeca do PT. ‘‘Ele teria que articular a saída com o Zeca. Apenas por isso antecipamos’’, disse o prefeito eleito. O prefeito eleito acrescentou que pesou no convite o perfil técnico de Paulo Bernardo e o trânsito que ele tem em Brasília. ‘‘Tudo isso foi levado em consideração’’, afirmou.
Segundo o ex-deputado, o vínculo afetivo que guarda por Londrina foi o principal responsável por fazê-lo trocar uma secretaria de estado por outra municipal. ‘‘Fui duas vezes deputado eleito por Londrina, mantenho meu título aqui e isso, aliado ao desafio de recuperar economicamente o município, me fizeram aceitar o desafio’’, justificou.
O novo secretário disse que em cerca de 10 dias deve estar definitivamente em Londrina para acompanhar de perto o trabalho da equipe de transição. Até lá, segundo já ficou combinado com o governador Zeca do PT, vai concluir um trabalho no Mato Grosso do Sul relativo ao fundo de previdência.
Mesmo avaliando a situação do município como caótica – as dívidas chegam a R$ 500 milhões – Paulo Bernardo acredita que somente com a posse será possível avaliar o tamanho das dificuldades. ‘‘Vamos ter que estabelecer escalas de prioridades’’, disse – já elegendo o salário dos servidores e os pequenos fornecedores como os primeiros das listas de pagamento.
Paulo Bernardo não quis adiantar se serão necessárias medidas drásticas para acertar as finanças como demissão de servidores. ‘‘O partido não tem esse perfil (de demissão)’’, destacou. Mas observou que no Mato Grosso do Sul foi preciso implantar um plano de demissão voluntária. ‘‘Por isso é difícil falar antecipadamente.’’
Sobre a polêmica do apoio ao prefeito cassado Antonio Belinati (sem partido) no segundo turno das eleições de 96, Paulo Bernardo reafirmou que esse é um problema que já foi superado. ‘‘Primeiro que eu não tive nada a ver com as irregularidades. E as investigações estão muito bem encaminhadas e vamos torcer para que vão até o fim.’’ O ex-deputado também não descartou participar de uma nova eleição para a Câmara Federal daqui a dois anos.
Paulo Bernardo também confirmou a dobradinha com o deputado estadual Antônio Carlos Belinati (sem partido) nas eleições de 98, o que, segundo ele, justificou o fato de seu nome ter aparecido na lista de gastos de Cassimiro Zavierucha, o ‘‘Carlos Júnior’’, tesoureiro do prefeito cassado.

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