Refeito do susto que o empurrou ao Senado, o deputado federal Nedson Micheleti (PT), aposta que poderá reverter o favoritismo de Álvaro Dias, que acumula índices superiores a 50% nas pesquisas, enquanto ele não conseguiu chegar a 4%. Até o início do mês passado, Micheleti estava em campanha como vice do senador Roberto Requião (PMDB) ao governo do Estado. Mas a vaga foi dada a Nelton Friedrich (PDT), restando o Senado ao PT.
Micheleti se diz ‘‘animadíssimo’’ com sua peregrinação pelos municípios e lembra dois exemplos recentes de candidatos que conseguiram reverter a maré de azar nas campanhas. ‘‘Na eleição de Londrina para a prefeitura, em 1996, o Wilson Moreira tinha 60% e o Cheida somente 4% e o Cheida levou. Na eleição para o governo em 1994, o Álvaro também era o favorito contra Lerner e deu no que deu. Pode apostar que eu vou virar’’, afirma.
Para mudar o quadro, ele quer aumentar a mobilização dos petistas e ampliar os recursos de campanha. Com pouco dinheiro, a maioria das viagens pelo Estado têm sido feitas de carro - o ‘‘Fiatinho combativo’’ do deputado. O carro tem somente um ano e meio e mais de 100 mil quilômetros rodados. ‘‘Até o final da campanha serão pelo menos 150 mil’’, acredita.
Além de mais dinheiro e mais envolvimento da militância, Micheleti espera que a desistência de Tony Garcia (PPB) ao Senado possa polarizar a campanha. ‘‘Deixa só o horário gratuito começar e vocês vão ver’’, provoca. Ele detém o maior tempo no rádio e na TV entre todos os candidatos - 5min25seg - e vai partir para o ataque contra Álvaro, que tem menos da metade desse tempo - 2min06seg. Os programas do petista serão dirigidos pela jornalista e cineasta Silvana Corona, de Ponta Grossa.
O slogan do candidato será ‘‘O senador do Paranᒒ. ‘‘Do povo e não dos poucos que fizeram um conchavo’’, cutuca. Ele pretende mostrar que representa o único candidato das oposições, contra FHC, Lerner e Álvaro. ‘‘Basta dessa política pesada e conservadora.’’

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