O prefeito de Londrina, Nedson Micheleti (PT), afirmou ontem que há uma ''interferência política'' da direção do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sindserv), na paralisação da categoria por tempo indeterminado que entra hoje no quinto dia consecutivo.
''Os servidores estão fazendo o movimento sem essa interferência política que é uma postura da direção e nos pronunciamentos do presidente do sindicato, sem dúvida'', afirmou Nedson. ''Eu não diria que (a interferência política) está barrando a negociação mas a diretoria do sindicato está misturando as coisas. O encaminhamento político da greve pela diretoria do sindicato está explícito nas falas do presidente ou membros. Esse discurso, por exemplo, de impeachment do prefeito, colocando partidos políticos no meio, a questão eleitoral que não tem nada a ver com a questão em discussão'', exemplificou.
Nedson também desdenhou das críticas feitas pelo presidente do Sindserv, Marcelo Urbaneja, a respeito dos gastos de até R$ 5,7 milhões em propaganda. ''Ele tem os números da prefeitura, sabe muito bem o que nós temos de receita e despesa, e não precisa fazer esse tipo de politização para fazer o debate da negociação salarial'', devolveu.
O prefeito ainda questionou o índice de 21% de reposição salarial reivindicado pelo sindicato referente à defasagem acumulada entre 2001, 2002 e 2004. ''Tivemos no decorrer dos quatro anos do meu primeiro mandato uma inflação de 35%. Dei reajuste aos servidores na faixa 27% a 31% neste mesmo período e o presidente do sindicato faz questão de dizer que 21% de arrocho salarial ocorrido no meu governo. Não são dados que o Nedson inventou. Os reajustes que dei quase zeram as perdas no meu governo. Isso é uma politização, uma tentativa de fazer jogo político'', argumentou. Conforme números da prefeitura, os reajustes foram concedidos em março de 2003 (10%), agosto de 2003 (5%) e janeiro de 2004 (10%). ''Esses índices acumulados somam 27% e tem ainda um abono que foi concedido para alguns setores em 2002 que faz esse índice subir para 31%'', explicou.
Conforme Urbaneja, o índice de reposição reivindicando é a soma das perdas acumuladas não negociadas com a administração. ''O índice de reposição de 2001 e 2002 não foi negociado, o que dá 14% de perdas inflacionárias não repostas e mais a inflação de 2004 que dá mais de 6%. Nunca falamos que ele nunca deu nada. Em 2003 houve reposição só que em 2002 teve maior inflação, de cerca de 15% que ele repôs em 2003'', justificou Urbaneja.
Urbaneja contestou as afirmações do prefeito de que há uma ''interferência política'' da diretoria do sindicato no movimento grevista. ''Estamos tratando da campanha salarial. Um movimento que mexe com sete mil pessoas e coloca em paralisação 90% da categoria não é um movimento político? É. Isso é um movimento político partidário? Não. O prefeito quer desviar o foco, desacreditar a diretoria do sindicato e não encontra argumentos para isso.''
Quanto a possíveis penalidades contra os grevistas, Nedson sentenciou que, se a Justiça permitir, haverá descontos salariais. ''O sindicato possui uma liminar judicial que garante que não haja descontos dos dias parados, e nós vamos cumprir. Mas a prefeitura está recorrendo dessa decisão e, se ganharmos, vamos descontar os dias parados.'' Conforme dados da Secretaria de Educação, ontem cerca de 75% das escolas municipais e metade (6) das creches do município não funcionaram.
Nedson garantiu que não tem intenção neste momento de apelar para a Justiça para suspender a paralisação dos trabalhadores e apelou para o ''bom senso'' dos servidores. ''Tenho pedido bom senso aos servidores, que voltem ao trabalho. Eles têm as informações das condições da prefeitura, sabem que não podemos conceder aumento.''
O prefeito admitiu que a greve traz ''desgaste político''. ''Desgaste para a cidade e para mim, politicamente'', concluiu. (Colaborou Vanessa Navarro)

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