Nedson aponta desafios para segundo mandato
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sábado, 06 de novembro de 2004
Cristiane Oya<br> Reportagem Local 
O desenvolvimento econômico, urbano e ambiental foi apontado por Nedson Micheleti (PT) como o principal desafio do segundo mandato à frente da Prefeitura de Londrina. Em entrevista concedida à Folha, Nedson esboçou os rumos da administração, analisou a primeira gestão, o processo eleitoral e a relação com os governos estadual e federal.
''O desafio estratégico que estamos colocando são os três eixos de desenvolvimento da cidade: o desenvolvimento econômico, que é o Parque Industrial, a consolidação do Parque Tecnológico; o desenvolvimento urbano, com o Anel do Emprego, com a duplicação da Rodovia Carlos João Strass, duplicação da Rua Goiás; e o desenvolvimento ambiental, como recuperação dos fundos de vale'', citou.
Nedson foi reeleito no pleito com o maior número de candidatos a prefeito da história da cidade oito, e de eleitores, 328.340. No primeiro turno, obteve o apoio de 27% do eleitorado. Na segunda etapa da eleição, quase dobrou a votação e somou 137.928 votos, 17 mil a mais do que Antonio Belinati (PSL), três vezes prefeito. ''O que me fez ir para o segundo turno foi mostrar o trabalho que fiz. Nesta eleição enfrentei as duas forças que historicamente dominaram a cidade nos últimos 30, 40 anos. De um lado a expressão política que era o (Luiz Carlos) Hauly (candidato do PSDB), com o Wilson Moreira, e de outro o Belinati. Enfrentamos essas duas forças, que são muito bem articuladas, fiz 27% e fui para o segundo turno. Foi uma façanha'', afirmou. ''Só conseguimos vencer o Belinati porque conseguimos articular uma grande mobilização dos setores sociais e forças políticas para enfrentá-lo. Ele ficou em primeiro lugar na pesquisa do começo ao fim da eleição. Na verdade eu virei a eleição na última semana'', avaliou.
Nestas eleições, Nedson foi o único candidato do PT eleito nas quatro principais cidades do Estado. Em Curitiba, Maringá e Ponta Grossa, o partido amargou derrotas mesmo contando com o apoio do PMDB, do governador Roberto Requião. Apesar dos ataques mútuos entre PT e PMDB após o resultado do segundo turno, Nedson defende a manutenção da aliança entre as siglas. ''Rusgas para cá, rusgas para lá, sempre acabamos trabalhando juntos (PT e PMDB). Eu acredito que essa aliança tem tudo para continuar, independente se vamos estar juntos no primeiro turno (para a eleição de 2006, que elegerá deputados estadual, federais, governadores, senadores e o presidente da República), como aconteceu aqui em Londrina. A questão que vai definir se vamos estar ou não (juntos), é nacional. O PMDB vai estar com o Lula? Nosso objetivo maior em 2006 é reeleger o Lula. Havendo isso, 99% está pavimentado para o PT e o PMDB marcharem juntos em um monte de Estados.''
Na avaliação do prefeito, essa boa relação com os governos estadual e o federal, comandado pelo petista Luiz Inácio Lula da Silva, deve representar mais investimentos na cidade. ''2005 vai ser decisivo. Para mim é o quinto ano de mandato e para eles também é uma fase boa. Tanto o Lula quanto o Requião já passaram aquela fase difícil do começo dos mandatos. Os investimentos que vieram destes governos para construção de casas, asfalto, recapeamento de vias, construção de postos de saúde, ultrapassa nestes dois anos a casa dos R$ 100 milhões'', contabilizou.
Segundo Nedson, o seu governo deve contemplar todos os partidos coligados (PL, PSC, PHS, PCB, PTN, PAN e PCdoB), e os que o apoiaram no segundo turno (PMDB, PTB e PSDB). ''Meu governo já é amplo, não é um governo do PT exclusivo. Nada conversado ainda, mas sem dúvida vou fazer uma mexida na equipe em função do projeto que vamos estar trabalhando nos próximos quatro anos.''
Nedson destacou que ''gostaria'' que o vice-prefeito eleito, Luiz Fernando Pinto Dias (PT), ajudasse na administração, sem assumir nenhuma pasta específica. ''Ele foi eleito como vice e gostaria que ele fosse vice, que me ajudasse na gestão geral da prefeitura. É o que eu gostaria. Lógico que se ele pleitear ser secretário na área que ele é muito competente, na área administrativa, ele terá todo o meu respeito, mas para mim, o ideal, é que ele me ajudasse na gestão geral como vice.''


