O prefeito Nedson Micheleti (PT) declarou ontem que apóia a iniciativa do PMDB em retomar a investigação do caso Copel-Sercomtel na Assembléia Legislativa, e disse acreditar que o município de Londrina tenha ''recursos em haver'' que podem chegar a R$ 20 milhões. O dinheiro pode voltar aos cofres da cidade se os deputados comprovarem irregularidades na transação.
A bancada do partido anunciou disposição de coletar assinaturas para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) já na segunda-feira, primeiro dia do novo período legislativo. A comissão vai averiguar se houve ilegalidade na compra de 45% de ações da Sercomtel, empresa municipal de telefonia, por parte da Companhia Paranaense de Energia (Copel), em maio de 1998, num negócio de R$ 186 milhões.
Conforme o prefeito, os R$ 20 milhões seriam a diferença na triangulação realizada entre prefeitura de Londrina, Copel e Banco FonteCindam. A prefeitura devia um empréstimo de R$ 22 milhões ao banco, e na venda das ações a Copel teria repassado diretamente ao FonteCindam R$ 47 milhões para pagar a mesma conta. ''Era uma dívida do município com o banco que dava para ser negociada'', lembra Nedson.
Questionado sobre a possibilidade de se anular a negociação das ações entre a Sercomtel e a Copel, caso a Assembléia Legislativa confirme a irregularidade da operação, Nedson somente afirmou que esse ''não é o foco da investigação''.
A negociação das ações entre a Sercomtel e a Copel já foi investigada pela Câmara dos Vereadores, em maio de 2000. A Comissão Processante (CP), presidida pelo então vereador Salvador Francisco, apurou as denúncias de irregularidades levantadas pelo Movimento pela Moralização na Administração Pública, autor do pedido de abertura da CP.
Dentre as irregularidades apontadas pelo Movimento, está a impossibilidade colocada pela Lei Orgânica do Município, de se negociar ações da empresa telefônica londrinense mediante um contrato de compra e venda, ou com um parceiro estratégico, como foi feito com a Copel. A Lei Orgânica impõe como obrigatória a venda de ações somente em Bolsa de Valores.
Apesar do relatório da comissão ter apontado que ''os fatos elencados na denúncia configuram, em tese, infrações político-administrativas'', a comissão foi arquivada pelo plenário, por 12 votos a sete. A maioria dos vereadores argumentou que com a cassação do mandato do então prefeito Antonio Belinati (sem partido), em junho de 2000, a comissão teria perdido o objeto.

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