A solução para o impasse em relação ao novo contrato dos serviços de água e esgoto em Londrina agora está nas mãos dos vereadores: ontem, o prefeito Nedson Micheleti (PT) afirmou, categórico, que vai recorrer à Justiça para renovar o contrato com a Sanepar caso os parlamentares derrubem o veto à proposta aprovada na Câmara nas últimas sessões de 2005.
A declaração do prefeito foi feita pouco antes da chegada do governador Roberto Requião (PMDB) ao Sindicato do Comércio Varejista de Londrina (Sincoval), ontem à noite, para a assinatura da ordem de serviço das obras de ampliação do sistema de abastecimento de água de Londrina e Cambé, bem como da rede coletora de esgoto londrinense.
O empreendimento tem expectativa de beneficiar pouco mais de 4,3 mil famílias na cidade vizinha, e outras 19 mil em Londrina. Os recursos de R$ 5,4 milhões provêm da Caixa Econômica Federal (CEF). ''A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que as cidades tenham 65% de saneamento. Londrina já tem 71%, agora passará a ter 74%, nível difícil de ser encontrado nas maiores cidades'', definiu Requião.
Nedson fez uma série de elogios aos trabalhos na Sanepar no município, que desde dezembro de 2003, quando do fim de um contrato de 30 anos, vem prestando o serviço na forma de contratos emergenciais. O quinto, de 180 dias, vence mês que vem. Ontem, o prefeito admitiu que pode tecer um novo contrato a ser encaminhado ao Legislativo, mas apenas se o Plenário mantiver o veto dele o que implicaria em vetar sugestões ao projeto propostas por uma comissão especial da própria Câmara. ''Se mantiverem o veto, o novo projeto segue para votação na sessão seguinte, com o mesmo conteúdo. Se o veto for derrubado, aí vira lei e não terei outro caminho senão recorrer à Justiça para garantir a renovação com a Sanepar e manter essa posição do município'', avisou.
O presidente da Câmara, Orlando Bonilha (PL), preferiu não polemizar com o prefeito, ele que, de defensor da municipalização, agora aposta na manutenção do veto. ''Acho que os vereadores vão analisar o veto e acredito até que o mantenham'', disse. Questionado se a intervenção judicial ameaçada por Nedson não vai interferir na independência entre os poderes, o parlamentar negou. ''Vou aguardar o Plenário decidir, mas ele tem liberdade para adotar o caminho que julgar necessário'', resumiu.
Na visita do governador a Londrina, no final de dezembro, Requião e Nedson afinaram o discurso pró-Sanepar e criticaram qualquer tentativa de uma suposta privatização no saneamento local. Na ocasião, o peemedebista chegou a chamar de ''quadrilha de bandidos'' e de ''canalhas'' quem tivesse defendido a proposta que, no fim, acabou vetada na Prefeitura.

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