Nedson ameaça descontar dias parados
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quinta-feira, 17 de agosto de 2006
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
O prefeito de Londrina Nedson Micheleti (PT) afirmou ontem em nota oficial que vai descontar os dias parados dos servidores grevistas. O movimento por reposição de perdas salariais de 27,53% completa hoje 11 dias com a promessa de não negociação, por parte do Executivo, e com a ameaça de ação judicial contra o desconto por parte do sindicato que representa a categoria, o Sindserv.
Além da nota, o prefeito se manifestou ontem por diversos veículos de comunicação, negando ainda qualquer possibilidade de reunião com a Câmara de Vereadores - que tentou intermediar a negociação. Entretanto, o prefeito não atendeu os telefonemas da Folha durante toda a tarde e início da noite. A assessoria de imprensa mencionou a nota oficial e disse que não sabia onde localizar Nedson.
Sem oferecer uma análise dos 10 dias de greve completados ontem, o texto oficial iniciou com a ameaça de desconto na folha de pagamento - que fecha no próximo dia 20 -, atitude que, nas palavras do prefeito, seria ''obrigação'' dele no papel de administrador. Para isso, continua o documento, os secretários de cada pasta estão fazendo um levantamento dos servidores que estão e que não estão comparecendo ao trabalho. Por enquanto, o movimento é mais forte no setor de Saúde, onde unidades básicas de saúde (UBSs) estão fechadas ou com atendimento parcialmente afetado. Na assembléia realizada anteontem, servidores da Educação também expressaram apoio à paralisação, apesar de o setor ainda se mostrar temeroso ante a possibilidade de reposição de aulas.
O presidente do Sindserv, Marcelo Urbaneja, recebeu a ameaça do prefeito com outra: a exemplo de 2005, quando a greve durou 31 dias, o sindicado novamente pode entrar com pedido de tutela antecipada contra o desconto em folha. ''É lamentável essa postura do prefeito, pois ele se afasta dos problemas e usa a imprensa para coagir o servidor com ameaças que ferem o direito legal de greve'', disse o sindicalista. ''Por acaso foi a bondade dele que o fez pagar os 31 dias de paralisação em 2005?'', questionou, referindo-se a duas decisões judiciais que favoreceram o sindicato.
Na nota de ontem e nas entrevistas a rádio e TV, Nedson voltou a defender que não negocia com a diretoria do sindicato por não ter caixa disponível, e por considerar o movimento político-eleitoral.
''Volto a afirmar que nenhum diretor é candidato, e que há ex-diretores e ex-presidentes do Sindserv que já foram ou que ainda são ligados à atual administração por cargos de confiança e de gente que recebeu abono de R$ 800 (no setor licitação). Ele (Nedson) que é coordenador de campanha (do candiato a governador pelo PT, senador Flávio Arns), e quando fala isso de nós deve é estar se recordando de outras épocas'', alfinetou Urbaneja.


