O prefeito eleito de Londrina, Nedson Micheleti (PT), afirmou ontem que pretende discutir a proposta do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sindserv) de redução dos salários dos cargos comissionados do município, como a Folha publicou na sexta-feira.
Nedson disse, porém, que esta discussão tem que ser ampla. ‘‘Quero discutir inclusive os casos de eventuais servidores que estejam ganhando salários astronômicos, de R$ 8 mil’’.
O prefeito eleito afirmou estar aberto a debater qualquer medida que possa equilibrar o caixa da prefeitura, que tem déficit mensal de R$ 3 milhões. Na semana passada, Nedson anunciou que, quando assumir, deixará de nomear 50% dos 157 cargos comissionados do município.
Os salários dos comissionados nas autarquias e administração direta variam de R$ 400 a R$ 5,4 mil. Cada secretário municipal ganha R$ 5,4 mil por mês. Mas há casos de salários maiores como o do presidente da Sercomtel, que recebe R$ 12 mil, o da Cohab, de cerca de R$ 8 mil e o da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), de R$ 6 mil.
O diretor de comunicação do Sindserv, Gláudio Renato de Lima, revelou à Folha que 11 servidores da prefeitura e da Câmara têm rendimentos que vão de R$ 4 mil a R$ 8 mil por causa de incorporações permitidas até 1988.
Lima disse, no entanto, ser favorável a uma auditoria geral na folha de pagamento da prefeitura para rever distorções e problemas de ilegalidade. ‘‘Precisamos saber se todas as incorporações salariais são legais’’, enfatizou. No caso dos 11 servidores, as incorporações devem-se ao fato de, em algum momento, eles terem ocupado cargos comissionados.
O Sindserv também defende a revisão de algumas aposentadorias. Segundo Lima, 40% das aposentadorias não foram homologadas pelo Tribunal de Contas. ‘‘Como até 1988 a Constituição não previa tempo de serviço para o estatutário se aposentar no cargo, muita gente se aposentou com salário de secretário municipal apesar de ter exercido a função por poucos meses’’.

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