Nedson acusa Sindserv de ação pró-Belinati
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quarta-feira, 09 de agosto de 2006
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
Prestes a completar a primeira metade de seu segundo mandato, e com uma segunda paralisação no funcionalismo municipal, o prefeito Nedson Micheleti (PT) acusou ontem a diretoria do Sindicato dos Servidores Municipais de Londrina (Sindserv) de usar a entidade para atingi-lo politicamente, e em benefício do ex-prefeito (e candidato a deputado estadual) Antonio Belinati (PP).
O prefeito se manifestou ontem a respeito da greve por tempo indeterminado deflagrada terça-feira pela categoria, em prol de reposição salarial de 27%. O chefe do Executivo municipal fez um apelo para que os grevistas voltem ao serviço. Ele admitiu preocupação com o fato de a paralisação deste ano concentrar esforços na Saúde (a greve de 31 dias em março de 2005 se ateve mais à Educação).
''Fazer uma greve agora (perto da eleição)? O sindicato tem agido politicamente: contra mim, e a favor do Belinati - é lógico'', acusou Nedson. Por outro lado, o prefeito disse não acreditar que tenha atuação de Belinati nos bastidores do movimento. Se as reivindicações da greve são justas? Ele preferiu não responder.
Nedson reafirmou a impossibilidade de incremento na folha de pagamento do Município. Pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), não se pode gastar mais que 54% da receita com pessoal. Entretanto, o prefeito contradisse números apresentados até o início deste mês por assessores e pelo secretário Jacks Dias (Gestão Pública), segundo os quais o índice em Londrina estava já acima de 57%. ''Estamos hoje no limite de 54%; até o final do ano é que deve chegar a esse índice (de 57%)'', contestou.
Questionado sobre o descontentamento do funcionalismo em ações localizadas - como abono de R$ 800 a 40 servidores, reposição de 70% às assistentes sociais -, o prefeito justificou: tratam-se de ''recomposições de algumas categorias''. ''Muitas dessas ações são para garantir os serviços, mas têm impacto mínimo da folha'', minimizou, para completar: ''Não tem comparação, fazemos o que fazemos pelo bem do serviço público. São soluções gradativas, localizadas, impossíveis de se estender à toda a categoria em função da LRF''. Sobre negociação direta com o Sindserv, descartou-a. ''Para isso, ambas as partes teriam de oferecer uma proposta - e nós não temos''.
O ex-prefeito Antonio Belinati ironizou a declaração do petista. ''Ele tem que administrar a cidade, em vez de ficar com picuinha política'', criticou.
Urbaneja riu da acusação política. ''Primeiro que eles manipulam os números: 54% de gasto com pessoal, agora? Se apertar mais, eles reduzem esse índice'', ironizou, insinuando que pode questionar na Justiça a prestação de contas do municipal. Depois, o sindicalista emendou: ''Não fazemos política, ao contrário do que já aconteceu. É só ver ex-dirigentes do sindicato que acabaram se unindo à atual gestão. Tentamos negociar há 16 meses'', devolveu.


