Curitiba - O ex-presidente do Banestado Manoel Garcia Cid, o Neco Garcia, que depôs segunda-feira na CPI que investiga irregularidades no banco, disse ontem que as dívidas deixadas pela sua gestão representaram menos de 1% do total devido pelo Banestado. Dessa forma, Neco Gracia contestou a acusação do ex-diretor do Banestado Ricardo Khury que declarou que Neco foi o responsável pela quebra da instituição financeira.
Neco fez ainda alguns esclarecimentos à matéria publicada na edição de terça-feira da Folha. Segundo ele, ao falar sobre a composição de contas feita entre o Banestado e a Jabur Pneus, ele não acusou Ricardo Khury de ter autorizado o empréstimo. ''Eu comentei que a composição de contas deu prejuízo ao banco, no meu entendimento.'' Isso porque, segundo ele, a composição de contas, no valor de R$ 200 mil, foi feita para receber o valor da dívida em pneus de uma determinada marca, mas o material entregue era de outra, de qualidade inferior.
Além disso, na composição feita foi considerado o valor do pneu estabelecido em tabela cheia. Porém, quando o pagamento é feito antecipadamente as empresas costumam dar descontos de até 40%. Como se tratava do resgate de um dinheiro emprestado, Neco Garcia acredita que o banco tinha direito a esse mesmo desconto.
O ex-presidente citou ainda o caso de uma outra empresa que ele nominou no seu depoimento e que passou três vezes pelo conselho para então ter a composição de dívida aceita. ''Na primeira vez a empresa não atendia as necessidades do banco. Na segunda vez o Alaor Alvim (outro diretor) recebeu uma ligação do Ricardo Khury para liberar a composição. Mas ainda não atendia as necessidades. Só na terceira vez é que foi aprovado.''
Sobre a venda de ações da Copel, Neco disse que não fez denúncia alguma. Simplesmente relatou aos deputados da CPI que fez uma ligação para um diretor da Copel, pedindo a gentileza de que parte do valor obtido com a venda fosse aplicada no Banestado. ''Sabedor da venda das ações, eu procurei que parte dos recursos ficassem aplicados no Banestado'', reforçou.
Neco Garcia disse ainda que durante a sua gestão não concedeu nenhum empréstimo. A liberação de recursos para a Prefeitura de Maringá, citada por Khury, foi feita, segundo Neco Garcia, depois de uma análise da superintendência do banco e com garantia real, já que um imóvel da prefeitura foi hipotecado como forma de garantir o pagamento.

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