Neco descarta suceder Brandão
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quarta-feira, 31 de dezembro de 1997
Curitiba 
Arquivo FolhaDando as cartasHermas Brandão: secretário deixa o cargo segunda, mas quer influenciar a escolha do sucessorA escolha do novo secretário da Agricultura não deve coincidir com a saída de Hermas Brandão no dia 5 de janeiro. Ela ficará para o início de fevereiro, depois de uma decisão do governador Jaime Lerner (PFL), que pode ter como base uma lista tríplice. A idéia vem sendo amadurecida pelo PTB e pelo próprio secretário, que deixa a função na próxima segunda-feira. A governadora em exercício, Emília Belinati (PTB), já avisou que não vai interferir no processo.
Ela disse na última segunda-feira que cabe ao governador definir o nome e que, na sua interinidade, não vai designar substituto. Brandão reassume no dia 7 de janeiro a sua cadeira na Assembléia Legislativa. A definição do seu sucessor deve ocorrer junto com a mini-reforma do secretariado, sinalizada pelo governador. Lerner antecipou de abril para fevereiro o prazo fatal para a desincompatibilização dos secretários de Estado que estão de olho nas eleições de 98.
Antes de entregar o bastão, Brandão vai nomear um secretário provisório. Gastão Gomes, atual chefe de gabinete, e Clóvis Pena, diretor geral da Seab, são os mais cotados para ficar no lugar do secretário até a escolha do sucessor. Brandão aceita sair o governo, mas quer influenciar na seleção do novo secretário. Já obteve apoio da direção estadual do PTB para costurar a lista tríplice, ainda em aberto.
A idéia de indicar nomes para a pasta cresce. O Palácio Iguaçu enfrentará dificuldades em emplacar seu candidato para a função, o presidente do Banestado, Manoel Garcia Cid. O ex-presidente da Sociedade Rural do Paraná não gosta da idéia. Quer ficar no Banestado, que está em vias de sofrer processo de saneamento junto ao Banco Central. Não quero sair no melhor da festa, avisava na segunda-feira.
O ex-presidente da Cooperativa de Cascavel (Copavel) Ibrahim Faiad é um dos nomes cogitados pelo PTB e por Brandão para a Agricultura. Faiad ocupa hoje a vice-presidência da cooperativa. O presidente estadual do PTB e secretário da Indústria e Comércio, Nelson Justus, diz que a vontade de Brandão é peneirar dois nomes técnicos e um de cunho político para submetê-los ao crivo do governador.
Ágide Meneguette, da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), chegou a ser lembrado para a função. Meneguette declinou do convite, pois prefere o comando da Faep. Ricardo Resende, também usineiro de Maringá, é o mais novo balão de ensaio.
A decisão de Brandão em cumprir à risca a promessa de deixar o governo no dia 5 é um recado para o governador Jaime Lerner. O secretário está incomodado e magoado com a indiferença do Palácio Iguaçu diante das acusações feitas pela Câmara Municipal e Ministério Público de Faxinal, que o apontaram como envolvido num esquema de desvio de verbas do Programa de Apoio à Pequena Propriedade para sua conta pessoal. Em nenhum momento Lerner saiu em sua defesa ou lhe pediu para que permanecesse no governo. (L.D.)


