Necessidade de rastrear valores dificulta trabalho, diz Cruz
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sexta-feira, 20 de abril de 2001
De Maringá 
O promotor Cruz citou alguns passos da investigação de cheques da conta da Prefeitura de Maringá na Caixa, para mostrar as dificuldades do trabalho. Além do volume grande de documentos, o MP precisou rastrear alguns valores. É o caso de R$ 91 mil usados pelo ex-prefeito Jairo Gianoto para a compra de sementes da empresa Adriana, de Mato Grosso. A empresa pertence ao deputado federal Odílio Balbinoti (PSDB), que, segundo Cruz, desconhecia o esquema.
Como a Adriana devia para a ProduQuímica, de São Paulo, pagou com o cheque da conta de Gianoto. O cheque foi devolvido e Gianoto então teria feito o pagamento com dinheiro público, direto para a empresa paulista. Ficamos vários dias para descobrir uma operação destas, que em dois minutos narramos aqui.
Outro caso é o do depósito de R$ 92.160,00 para o Instituto Previdenciário dos Congressistas (IPC), de Brasília (DF). No dia do depósito, em dezembro de 1999, dois deputados de Maringá haviam feito acerto com o IPC. José Borba (PMDB), depois de alguns dias assumiu ser o beneficiado, mas alegou desconhecer a origem do dinheiro. Ele prometeu devolver os recursos.
A investigação mostrou também a triangulação do pagamento do avião de Gianoto, um Cheyenne, avaliado em R$ 700 mil, adquirido do empresário Jorge Sanches, do Rio de Janeiro. Paolicchi assinou cinco promissórias, com vencimentos de setembro de 1998 em dinate. O resgate era feito, no entanto, com o pagamento para outra empresa, a BPA Participações, de Belo Horizonte (MG), onde Sanches havia comprado outra aeronave. Nesta transação, Paolicchi e Gianoto teriam usado R$ 554 mil da prefeitura. (M.Z.)


