Arquivo FolhaDefensivaSergio Naya: gravação do ‘‘Fantástico’’ está ‘‘fora do contexto’’O advogado Daniel Azevedo, defensor do deputado Sérgio Naya (sem partido-MG) no processo de cassação do mandato do parlamentar por quebra do decoro, procurou descaracterizar todas as acusações feitas contra seu cliente na defesa apresentada à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Ele anexou à peça inicial da defesa, documentos com os quais Naya procura se livrar dos crimes de contrabando e de falsificação de documentos.
Segundo Azevedo, a fita exibida pelo ‘‘Fantástico’’, na qual Naya confessa que falsificou a assinatura do governador de Minas Gerais, apoderou-se de uma draga de cerca de US$ 1 milhão e contrabandeou aparelhos de hemodiálise, não mostra a verdade. ‘‘Os trechos foram pinçados e não mostram de forma alguma o que ocorreu’’, disse o advogado de Naya. As declarações do deputado, segundo seu defensor, foram feitas em momentos de muita informalidade. Trata-se de uma repetição de argumentos já utilizados pelo próprio Sérgio Naya.
O deputado também agiu ontem. Fez chegar ao gabinete de todos os integrantes da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara outra peça de defesa: o discurso que pretendia pronunciar na semana passada, mas desistiu na última hora. Como seu advogado, Naya afirma nas seis páginas do frustrado discurso, que a fita na qual aparece confessando ter falsificado a assinatura do governador de Minas Gerais, exibida pelo ‘‘Fantástico’’, teve conversas pinçadas fora do contexto da reunião com os vereadores de Três Pontas.
Naya enumerou ponto por ponto as acusações que pesam sobre ele, desde a baixa qualidade do material com que foi construído o Edifício Palace 2 - que desabou parcialmente, na madrugada do Carnaval e foi implodido depois - até a transferência de uma draga, de um município para outro.
Na fita mostrada pelo ‘‘Fantástico’’, ele afirmou que não roubou, mas se apoderou de uma draga de quase US$ 1 milhão. Disse também que tinha facilidades em fazer contrabando de aparelhos de hemodiálise e que utilizava material de segunda mão em suas obras.
Na explicação aos deputados, Naya disse que a draga foi transferida de Três Pontas para Leopoldina, mas ficou ociosa por lá. Então, segundo ele, promoveu a mudança da máquina para Itanhandu e, ‘‘graças a isto, foi feito um trabalho de drenagem, eliminando as enchentes que assolavam a região’’. Concluído o trabalho, segundo Naya, o equipamento foi devolvido ao Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), ‘‘Não falsifiquei documento algum’’, afirmou Naya. ‘‘As expressões por mim pronunciadas foram em ambiente de grande descontração, em tom de brincadeira, em tom de provocação a velhos companheiros’’.
Quanto aos aparelhos de hemodiálise que teriam sido contrabandeados, Naya disse que adquiriu sete deles, para os municípios de Muriaé, Itanhandu, Nanuque, Passa Quatro, Boa Esperança, Almenara e Bambuí. Segundo o deputado, o primeiro deles foi obtido em importação direta e os outros em leilão. Sobre o material de segunda mão, Naya afirmou que comprou, realmente, vasos sanitários com pequenos defeitos, ‘‘aquilo que se chama ponta de estoque’’, para doar a pessoas carentes. (AE)

mockup