Nascimento poderá assumir Ministério
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segunda-feira, 20 de abril de 1998
Agência Estado 
Empresários, advogados e especialistas no setor especulam sobre a efetivação do ministro interino das Comunicações, Juarez Quadros do Nascimento, secretário-executivo do ministério, como responsável definitivo pela pasta, com a morte do ministro Sérgio Motta, ocorrida na noite de domingo, em São Paulo,mas ainda não há definição sobre a sucessão. É citado também o nome do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luiz Carlos Mendonça de Barros, que desde a semana passada comanda a Comissão Especial de Supervisão de Privatização do Sistema Telecomunicações Brasileiras (Telebrás).
Barros, amigo pessoal e confidente de Motta, despacha desde a semana passada no oitavo andar do Ministério das Comunicações. Ele decidiu que só deve tratar dos assuntos do BNDES às segundas e sextas-feiras, no Rio. Cabe a ele as principais decisões sobre o processo de privatização das empresas do Sistema Telebrás. A presidência da comissão era de Motta, a quem era dada a última palavra.
CronogramaAté o momento, não houve atraso no cronograma elaborado por Motta para a venda da Telebrás. O futuro ministro terá de se preocupar em manter as datas e tomar as decisões estratégicas que ainda faltam. Barros, por exemplo, é quem vem discutindo com a Presidência da República o limite da participação do capital estrangeiro nas empresas que assumirem a estatal.
Para investidores, a saída de Motta não representa quebra no processo. Um documento do Ministério das Comunicações revela que ainda restam 21 eventos até se completar a privatização do Sistema Telebrás. Destes, 12 são atribuições exclusivas da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que independem da figura do ministro. Um total de seis eventos poderiam requerer a interferência ou a palavra final do novo responsável pelas comunicações. É o caso da definição do preço mínimo de venda das 12 empresas em que se dividirá o Sistema Telebrás e a aprovação do Plano Geral de Metas de Universalização.
A permanência de Barros ratificaria a importância de sinalizar para o mercado que não há solução de continuidade no comando da privatização do setor de telecomunicações. Esta tese é defendida por aqueles que identificam na figura de Barros o mesmo perfil de Motta, quanto a uma posição firme para a conclusão da privatização do Sistema Telebrás. A condução do programa de privatização seria reforçada, sustenta um dos interlocutores dos que defendem este tipo de solução.
Tudo como estáMas, ao mesmo tempo, a idéia de manter tudo exatamente como está também ganhou campo. Barros continuaria tocando a privatização do setor de telecomunicações e Nascimento poderia ser efetivado no cargo. Os assessores do Palácio do Planalto não querem se antecipar a uma posição do presidente Fernando Henrique Cardoso e garantem que esta situação só estará definida depois do retorno da viagem, que teve início ontem à noite, para a Espanha. A tese em defesa da manutenção do quadro atual parte do princípio de que o mercado e os investidores estrangeiros assimilaram com tranquilidade a indicação de Barros para o comando da privatização do setor de telecomunicações. Isso é inquestionável, sustentam fontes do governo. A discussão se reduziria a um aspecto formal, por que Barros está na coordenação de uma comissão especial de supervisão do processo de privatização.
Caso o governo opte por manter Nascimento na condição de ministro, não haveria riscos às decisões da comissão. Assim, ele exerceria na comissão o papel de presidente de honra e Barros, o inquestionável poder de conduzir o processo de privatização das teles.


