Em liberdade desde sexta (8), Lula é carregado por militantes neste final de semana em São Bernardo do Campo (SP)
Em liberdade desde sexta (8), Lula é carregado por militantes neste final de semana em São Bernardo do Campo (SP) | Foto: Miguel Schincariol /AFP

São Paulo – O presidente Jair Bolsonaro (PSL) e parlamentares tanto da oposição quanto aliados ao governo utilizaram as redes sociais neste domingo (10) para comentar sobre a soltura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e normativa de prisão após a segunda instância. De manifestações calorosas a amenas, representantes políticos expuseram suas opiniões sobre o tema em suas contas oficiais do Twitter.

O ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) disse que "fica impressionado com o medo que tanta gente armada tem de um homem desarmado", sem citar nominalmente o ex-presidente e nem mencionar adversários políticos.

A presidente do Partido dos Trabalhadores, deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) afirmou que Lula é o maior líder político da história do País. "Querer dizer que Lula é Bolsonaro no sentido oposto é muita desfaçatez! Lula é o maior líder político popular da história do Brasil, um democrata que tem posições firmes em defesa do povo e dos trabalhadores", escreveu a deputada.

Líder do PT no Senado, Humberto Costa (PT), ressaltou que Lula foi "vítima de uma injustiça" e que voltou para defender o País. "Lula voltou e com ele a alegria do povo brasileiro. Vítima de uma injustiça, o ex-presidente Lula segue mais firme do que nunca na defesa de um país melhor para todos", escreveu Costa.

OUTRO LADO

Do outro lado, parlamentares ligados ao governo do presidente Jair Bolsonaro enfatizaram a sua posição favorável à prisão após julgamento em segunda instância e contrária às ideias do ex-presidente Lula. "Lula está solto, mas ainda é condenado. Ele voltará para a cadeia, a não ser que os atuais poderosos consigam novo acordo para livrar o petista em troca da salvação de um pescoço amado", disse a deputada federal Joice Hasselmann (PSL/SP).

Também deputado federal pelo PSL, o príncipe Luiz Philippe de Orléans e Bragança, atacou o movimento do ex-presidente Lula de se manifestar sobre as eleições. "O criminoso em liberdade age conforme o plano: recém egresso do cárcere já distribui apoio a candidatos para eleições municipais 2020. A prioridade não é vitória ideológica mas sim voltar ter acesso a orçamento público para financiar os passos seguintes", disse.

O senador Major Olímpio (PSL-SP) comentou sobre uma foto de José Dirceu e Lula. "Já estão voltando pra cadeia... Lá podem ficar juntinhos!", disse o senador governista.

Sobre a prisão em segunda instância, o senador Alvaro Dias (Podemos-PR), afirmou que no sábado (9) "milhares de manifestantes foram às ruas" contra a decisão do STF que derrubou a possibilidade de prisão de condenados em segunda instância. "Senadora Juíza Selma já entregou seu relatório favorável à PEC da segunda instância. Projeto está pronto para ser votado nos próximos dias", disse o senador.

O deputado federal Ricardo Barros (PP-PR) defendeu uma nova Assembleia Constituinte para assegurar a prisão em segunda instância. “Na minha opinião, a presunção de inocência é cláusula pétrea não se altera nem com a Lei e nem com a Emenda Constitucional", argumentou o ex-ministro da Saúde.

BOLSONARO

Bolsonaro atribuiu as oscilações na Bolsa de Valores à soltura do ex-presidente Lula. Em meio a uma série de postagens, em que destaca as ações positivas dos seus 300 dias de governo, Bolsonaro afirmou que a Bolsa bateu mais um recorde e que "as oscilações ocorreram devido a soltura de corruptos presos" como Lula.

"Bolsa de valores bateu mais um recorde. Confiança no Brasil em alta e crescendo! Dever de casa sendo cumprido e temos que desfazer ainda muitos estragos! As oscilações ocorreram devido a soltura de corruptos presos como o presidiário Lula. Vamos adiante!", escreveu o presidente.

MORO

O ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sergio Moro, afirmou que a resposta aos avanços efêmeros de criminosos não pode ser a frustração, e sim, a reação com aprovação das Propostas de Emenda Constitucional (PECs) e do pacote anticrime.

"A resposta aos avanços efêmeros de criminosos não pode ser a frustração, mas, sim, a reação, com a votação e aprovação no Congresso das PECs para permitir a execução em segunda instância e do pacote anticrime", escreveu Moro no Twitter.

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