Os três prefeitos reeleitos em Ibiporã, Cambé e Rolândia, os maiores municípios da região de Londrina em número de habitantes, terão maioria nas respectivas câmaras de vereadores a partir de 2013. Atualmente, dois prefeitos tinham os legislativos divididos igualmente entre situação e oposição: Johnny Lehmann (PTB), prefeito de Rolândia, e João Pavinato (PSDB), de Cambé. Já o prefeito José Maria (PMDB), de Ibiporã, sai de uma Câmara de oposição para uma situação mais confortável nos próximos quatro anos.
O peemedebista José Maria quase dobrou sua base de apoio na Câmara para o próximo mandato. Atualmente, ele conta com apoio de quatro de nove parlamentares. Agora contará com três parlamentares do PMDB, um do PT, um do PSC, um do PHS e um do PV. ''Saímos de quatro para sete vereadores na base, por isso será um mandato mais tranquilo. Porque quando você tem uma oposição técnica, não somente política, que quer atrapalhar a cidade, tudo bem, mas não foi o caso desta Legislatura'', reclamou.
José Maria enfrentou em quase quatro anos a cassação de seu líder na Casa, José da Caixa (PMDB), por quebra de decoro parlamentar, e um pedido de cassação do seu mandato, que foi rejeitado em plenário, por supostamente ter relação com o escândalo dos funcionários fantasmas da Assembleia Legislativa do Paraná. Ele foi reeleito com 71,33% dos votos válidos. Ibiporã tem 37.481 eleitores, sendo que 6.093 se abstiveram da votação no dia 7. ''Agora temos que melhorar a questão educacional do município e investir mais em saúde, além de fortalecer nossa economia. Se sobrar recursos, vamos focar no embelezamento da cidade, e melhoras no trânsito'', ressaltou.
Já o tucano João Pavinato tinha uma Câmara de Cambé dividida - cinco vereadores de oposição e cinco de situação - e agora ganha mais um para sua base. Dos vereadores eleitos, Pavinato vai contar com três vereadores do PSDB, dois do PTB e um do PMDB. ''Mas não levo em conta o fato quantitativo, creio que houve uma melhora qualitativa na Casa para os próximos anos. Não sou contra a oposição, porque lutei muito pela democracia, mas é claro que precisamos de uma oposição que debata, não só aponte erros.''
Pavinato foi reeleito com 54,30% dos votos válidos. Cambé tem 71.612 eleitores, e 11.153 se abstiveram da votação. Pavinato enfrentou no seu governo a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) por conta de contratos do Instituto Atlântico com o município. ''Consegui anular o relatório na Justiça porque eles não deram direito de ampla defesa e contraditório, e porque a CPI foi aberta sem um fato determinado'', explicou.
O prefeito de Rolândia reeleito, Johnny Lehmann, também contava atualmente com cinco de dez vereadores - apesar de ter iniciado o mandato com sete de dez. Ele enfrentou em quatro anos duas CPIs, uma em relação a suposto superfaturamento de marmitex - compradas pela prefeitura para servidores municipais - e outra de venda de terrenos públicos para uma empresa, que teria uma certidão negativa de débitos falsa, chamada de CPI da Fertifoliar.
A CPI da Fertifoliar teve o relatório final aprovado em plenário, que pedia, entre outras coisas, uma Comissão Processante (CP) contra o prefeito. O pedido de abertura de CP, enviado para o plenário baseado no relatório, porém, foi arquivado pela maioria dos vereadores da Casa - já que os três que participaram da CPI não puderam votar pela abertura da CP. Já o relatório da CPI das Marmitas foi assinado por somente dois vereadores, a relatora Eneide Huss (PSDB) e Renato Sartori (PSB). O membro da CPI, vereador José de Paula (PSD), alega que a relatora foi obrigada a assinar o relatório final. ''Ela foi coagida a assinar e eu nem fui conviado a estar na reunião para assinatura do documento. Um dia depois protocolamos na Casa um pedido de mais prazo para entregar outro relatório final, mas o presidente da Câmara negou o pedido''.
Johnny foi reeleito com 53,56% dos votos válidos. Rolândia possui um eleitorado de 44.638, sendo que 7.220 se abstiveram da decisão no dia 7. ''Eu comecei a gestão com a maioria na Câmara e perdi alguns vereadores, agora começo novamente com a maioria. Espero que a oposição seja técnica, não politiqueira'', alegou o prefeito.
Nesse mandato, o prefeito explicou que deve enviar novamente alguns projetos para a Casa, que acabaram não sendo aprovados pelos vereadores. ''São projetos para construção de uma Unidade Básica de Saúde, começar período integral em uma escola municipal, quatro postos de saúde. São projetos que já têm destinação de verbas do governo federal e estadual, só falta a contrapartida do município, que não foi aprovada pela Câmara'', disse.

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