Nas galerias, spray de pimenta, empurra-empurra e arma em punho
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quinta-feira, 06 de julho de 2017
Pedro Marconi<br>Reportagem Local
A sessão que decidiu pela abertura de Comissão Processante (CP) contra o vereador Emerson Petriv (PR), o Boca Aberta, foi marcada por confusão generalizada. Logo após o presidente da Câmara, Mario Takahashi (PV), anunciar o resultado da votação, dezenas de simpatizantes de Boca Aberta, que lotaram uma das galerias da Casa, foram até a enfermeira Regina Amâncio, que estava no lado oposto aos apoiadores.
Com a sessão interrompida para a escolha dos membros da comissão, os manifestantes começaram a discutir com a enfermeira, responsável pela representação contra o vereador. Em meio ao tumulto, os apoiadores de Boca Aberta acusaram Regina de jogar spray de pimenta contra eles, o que inflamou ainda mais os manifestantes, que partiram para cima da enfermeira. Houve registro de agressão física contra ela, que precisou da escolta de seguranças da Casa. Durante a confusão, um homem chegou a sacar uma arma.
O desentendimento continuou do lado de fora da Câmara. Um homem teve de conter os manifestantes e o vereador Boca Aberta para que não agredissem o suspeito de sacar a arma. Ele buscou abrigo no prédio do Fórum Estadual de Londrina.
"Estávamos nos manifestando sem nenhum problema quando a autora da representação contra o Boca Aberta jogou spray de pimenta contra crianças. Tudo isso só aconteceu por causa disso", justificou a auxiliar de cozinha Sandra Silva. Duas crianças foram atingidas pelo spray e precisaram receber atendimento médico.
"Eu estava acompanhando a votação quando um dos membros do gabinete do Boca Aberta, mais o vereador, incitou os manifestantes a me hostilizarem. Não joguei spray de pimenta em ninguém. Eles que estão inventando isso", defendeu-se Regina Amâncio, que estava com uma tampa na mão. Entretanto, ela não soube explicar a origem do objeto. Boca Aberta negou as acusações da servidora. A Polícia Militar e a Guarda Municipal foram ao Centro Cívico, porém quando o tumulto já se encaminhava para o final.
'SEGURANÇA SUFICIENTE'
Segundo Takahashi, somente após as imagens do circuito interno da Casa serem analisadas é que poderão ser tomadas providências sobre o caso. Ele ainda garantiu que o número de seguranças presentes era suficiente e que havia enviado um ofício solicitando a presença das forças policiais. "Não houve erro de cálculo (de seguranças). Nós solicitamos as forças policiais para que ficassem em estado de alerta, sendo cada uma dentro de seu quadrante de investigação." Durante reunião nesta semana, a diretoria da Câmara havia decidido que não haveria nenhum esquema especial de segurança.
Delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial de Londrina, Osmir Ferreira Neves afirmou que dois policiais estavam na Câmara para acompanhar a votação e intervir somente se necessário. Ele confirmou que o homem que sacou a arma era um deles. "O policial registrou um boletim de ocorrências. Agora, vamos apurar todas as circunstâncias, desde a possibilidade de agressão contra ele e também a necessidade do uso da arma", informou.