Nas filas, a tônica é de desânimo e desconfiança
Uma enquete realizada pela Folha na fila de cidadãos que procuraram o Fórum de Londrina ontem para fazer ou transferir o título mostra que, a cinco meses das eleições gerais, o desânimo, a falta de informação e o descrédito com a política dominam a cena.
De nove pessoas ouvidas pela reportagem, apenas duas disseram que já sabem em quem votar nas eleições. Mas só para presidente da República. Os outros candidatos afirmaram não estar definidos. Um eleitor prometeu anular o voto. Todos afirmaram que só votarão porque são obrigados. Se fosse facultativo eu nem aparecia, garante o borracheiro desempregado Antônio Palma, 48 anos.
Para Palma, o País só melhoraria se os políticos trabalhassem com honestidade, o que não é o caso. É muita corrupção, reclama o borracheiro, que está desempregado há um ano e não vê perspectivas a curto prazo de resolver sua situação. A gente vai escolher quem vai ficar rico desta vez, reclamam os estudantes Alexandre João Munhoz, 19 anos, e Tarcis Júnior, 18. Apesar das críticas aos politicos, os dois pretendem votar em Ciro Gomes (PPS) para presidente da República. Ele me parece o mais sensato. Aliás, não é todo mundo que tem coragem de chamar o FHC de hipócrita, diz Alexandre João, aluno do curso de Admininstração da Universidade Estadual de Londrina.
A dona-de-casa Silvana Oliveira Azevedo, 27 anos, admite que a indefinição do quadro político no Estado atrasa as decisões. Vou esperar a campanha começar para ver em quem votar, diz. O lavrador José Manoel da Silva, 50 anos, também está cauteloso. Vamos primeiro ouvir as propostas, mas o duro é que sai um, entra outro e a coisa continua a mesma. Só por Deus mesmo, mas como a esperança é a última que morre, vamos esperar, conforma-se. Eu tô por fora e desanimado, diz o estudante Fernando Rodrigues, 18 anos. (P.Z)





