Quando for votar hoje, o paulistano Sergio Morisson - publicitário ligado ao terceiro setor - deverá causar emoções variadas na sua seção eleitoral. Alguns vão estranhar, outros acharão engraçado, mas dificilmente alguém ficará imune a Morisson, que promete usar um vermelhíssimo nariz de palhaço enquanto digitar os números dos candidatos. Esse protesto divertido já conseguiu a adesão de jornalistas, estilistas e atores, entre outros formadores de opiniões.
Inconformado com a atual situação política nacional, Morisson diz ter idealizado o movimento para que fosse ''capaz de ironizar esta situação vergonhosa e deprimente que estamos vivendo. É hora de despertar a sonolência coletiva do nosso país pois não podemos mais ser complacentes com tudo isso''.
Sob o nome ''Rir para não chorar'', a campanha do publicitário surgiu em São Paulo, onde ele estima ter distribuído 50 mil narizes de palhaço nos últimos dias. Nomes como a consultora de moda Costanza Pascolato e as atrizes Marisa Orth e Danielle Winits, entre outros aderiram à idéia de Morisson.
Em Londrina, aderem ao movimento a fotógrafa Carmen Kley, o publicitário Fernando Sing, a confeiteira Adriana Carioba, o arquiteto Renato Santoro, a estilista Nina Graça e o cabeleireiro Júnior Martinelli. ''Eu sou o palhaço no picadeiro criado por eles (políticos)'', dispara Martinelli, indignado.
''É rir para não chorar com o medo do que há por vir'', explica o arquiteto Renato Santoro. Ao mesmo tempo que teme dias piores pela frente, ele também se considera um otimista. ''Corrupção sempre existiu, mas agora ficamos sabendo mais. Vai demorar, mas vai melhorar. Talvez nem nossos netos vejam, mas vai melhorar'', idealiza Santoro.
Para a fotógrafa e jornalista Carmen Kley, ''não tem mais do que rir, mas apesar de tudo o povo brasileiro é feliz. A roubalheira tem que acabar'', diz Carmen, vestida de verde-e-amarelo. ''Minha filha de 12 anos já questiona como as pessoas podem roubar e fazer outras pessoas passarem fome e mesmo assim conseguirem dormir tranquilas'', conta a confeiteira Adriana Carioba, que avisa cumprir seu papel de cidadã. ''Não fico esperando que eles (políticos) dêem um jeito. Eu já estou fazendo a minha parte'', explica Adriana, que criou um sistema de auxílio à vizinhança.
Apartidário, o movimento Rir para não chorar adianta que é uma crítica a todos os corruptos, sem citar nenhum partido ou político específico. Fernando Sing vai votar com o nariz de palhaço por livre e espontânea vontade, como ele acredita que deveria ser o voto. ''Se o voto fosse facultativo, seria bem diferente. Seria melhor'', acredita Sing.
Se votasse em Londrina, a estilista Nina Graça também usaria o nariz, mas como o título é de Santa Cruz do Rio Pardo (SP), ela entra na campanha por acreditar que rir é mesmo o melhor remédio. ''A vida é triste mesmo, mas tudo depende do olhar do observador'', ensina.

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