Narcotráfico não ouve Noronha e Cândido Oliveira
A CPI Estadual do Narcotráfico entregou, no final da tarde de ontem, um relatório parcial das investigações. O presidente da Comissão, Algaci Túlio (PTB), disse que o volume de informações era muito grande e que seria impossível finalizar o documento. Mas o presidente da Assembléia, Hermas Brandão (PTB), foi inflexível e exigiu toda a documentação.
Depois de muita discussão, ficou acertado que a CPI entregaria suas conclusões parciais ontem e poderia mudar o texto até a próxima semana, quando terá que fazer a leitura em plenário. Várias pessoas devem ser indiciadas. Um relatório sigiloso será encaminhado ao Ministério Público.
De acordo com Túlio, a justificativa para o não-cumprimento do prazo estipulado desde o final do ano passado foi a cirurgia de úlcera e redução do estômago do relator da CPI, Ricardo Chab (PTB), há cerca de duas semanas. Ele ficou 10 dias internado - argumentou.
Os deputados não quiseram adiantar detalhes. Segundo Chab, foram feitas 12 prisões. Apenas o empresário de Araucária (Região Metropolitana de Curitiba), Hissan Hussein, foi libertado. Ele está citado na CPI Nacional do Narcotráfico, acusado de envolvimento com o tráfico de drogas, furto, desmanche de veículos, concussão, extorsão e corrupção ativa e passiva.
A CPI Estadual das Drogas não tomou os depoimentos do ex-secretário de Segurança Cândido Martins de Oliveira nem do ex-delegado-geral da Polícia Civil Ricardo Kepes de Noronha. Ambos foram ouvidos e citados pela CPI Nacional. Como justificativa para o fato de a comissão não ter ouvido Oliveira e Noronha, Túlio disse apenas que a comissão nacional já o havia feito isso. Chab disse que os nomes de Oliveira e Noronha constarão do relatório porque ele vai lembrar que ambos foram citados pela CPI Nacional.
Para Nereu Moura (PMDB), é inadmissível que a comissão não tenha ouvido o ex-secretário e o ex-delegado-geral. Oliveira foi acusado de conivência com o crime organizado e Noronha por envolvimento com o crime organizado. O ex-secretário de Segurança acabou sendo demitido pelo governador Jaime Lerner (PFL) e Noronha foi afastado do cargo.(M.D.)





