O país que saiu das urnas é quase o mesmo em termos de correlação de forças e o fato que pode mudar esse cenário está mais no segundo turno das disputas estaduais do que na conformação da base parlamentar. Esta é segura tanto para o governo federal quanto para o estadual. Nacionalmente, os partidos que apoiaram Lula tiveram melhoras numéricas, mas não o suficiente para alterar o predomínio governista. Regionalmente, o quadro é idêntico e a oposição tenderá até a perder quadros com as ações de cooptação, enquanto a bancada do PSDB deverá votar com a situação. É a previsão que se pode fazer.
Tudo, porém, está condicionado à questão da economia. Se as gestões junto ao FMI tiverem o andamento esperado, haverá, é lógico, a contrapartida das providências amargas para o cumprimento do que os nossos ‘‘monitores’’ entendem como os ‘‘deveres de casa’’, até hoje não cumpridos. Na absorção desse purgativo pelos vários setores da sociedade (o empresariado já pulou contra o imposto para as grandes fortunas com o que se pretendia ‘‘dourar a pílula’’ para cobrar apoio dos petistas num pacto nacional) é que se saberá de novas posturas políticas. Ocorre que no caso das reformas, embora com base parlamentar suficiente, o governo perdeu batalhas primárias para a oposição e dá para imaginar, mesmo com teses salvacionistas e de mobilização, que haverá notórias dificuldades para acomodar interesses em choque.
No plano regional, teremos o impacto de todos esses choques. É sabida a falta de pulso do governador para tomar medidas de austeridade (ele não dispensou funcionários, embora os mantivesse sob uma ração de arrocho, enquanto Covas, em São Paulo, despediu cerca de 140 mil servidores) e se não for empurrado pelos acontecimentos dificilmente chegará ao equilíbrio financeiro com o aparato público se mantendo no exercício autofágico de arrecadar para gastar.
Vai ter que aprender a ser moderado em gastos com mídia, prática que nunca teve: o Banestado deixará de drenar recursos para os meios de comunicação na intensidade, bastante pródiga, com que vinha fazendo. Isso se repetirá com a Copel e a Sanepar e especialmente com recursos da gestão direta.
Não vai ser mole, mas quem gosta de moleza é bebum na ladeira.

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