O reitor Jackson Proença Testa procurou demonstrar tranquilidade ao falar sobre as denúncias apresentadas ao Conselho Universitário. ‘‘Estamos tranquilos e serenos, tudo tem resposta e não temos nada a esconder’’, garantiu. Ele disse ainda que estará encaminhando uma correspondência a Secretaria de Ciência e Tecnologia do Estado, à qual a UEL é subordinada.
Testa não vê justificativas para que seja afastado do cargo. ‘‘Tradicionalmente, a comissão tem uma posição política contrária ao reitor, nós vamos tratar disso administrativamente e trabalhar de forma técnica’’, afirmou. Ele disse ainda que o relatório não trouxe denúncias acusatórias contra a figura do reitor. ‘‘Tivemos uma situação atípica. O conselho, em 30 anos, nunca analisou uma matéria baseada só na denúncia, o processo tem que estar substanciado e dar direito à defesa. O princípio da igualdade e isonomia deve prevalecer nessa decisão’’.
O reitor observou que a comissão trabalhou durante 50 dias, porém ele terá apenas dois dias úteis para apresentar sua defesa perante o Conselho Universitário, que volta a se reunir na quarta-feira. Ele também argumentou que os pagamentos com recursos do FAT a Mário Henrique Mendonça, filho de seu ex-chefe de gabinete, são justificados. ‘‘Gostaria que tivesse uma tabela igual à do FAT para os professores, que é um programa especial do Governo Federal.’’
Testa também negou as denúncias de superfaturamento na construção do canil da UEL. Segundo ele, o metro quadrado da obra custou aproximadamente R$ 560. ‘‘O preço do apartamento que eles anunciaram também está errado. Onde você acha um apartamento luxuoso nesse valor?’’. Ele negou ainda que haja iregularidades em aditivos contratuais e nas licitações de outras obras, construídas no campus. (L.R.)




TRECHOS DO RELATÓRIO
‘‘Por que a UEL alugou tantos telões para os bairros da periferia da cidade no período de maio a agosto e, estranhamente, após esta data não há mais locação de telão para estes mesmos bairros? O fato de 1996 ser ano eleitoral é apenas uma coincidência?’’
‘‘Os fatos apontados no relatório (...) são graves pelas ilegalidades de que parecem estar revestidos e principalmente porque provocam a erosão da imagem da universidade perante à população e o corpo discente, porque autorizam que a juventude possa descrer da superioridade da moral sobre o delito, da superioridade do interesse público sobre o particular’’
‘‘Em relação à denúncia envolvendo a viagem ao exterior do reitor e dos professores Jorge Edison e Mauro Ticianelli, recebemos os respectivos empenhos. (Mas) deve-se considerar que muitos docentes desta instituição, quando viajam a trabalho, representando a UEL nos mais diferentes centros de estudo e de pesquisa, raramente conseguem receber da UEL uma passagem aére e mais difícil ainda é obter ajuda de custo’’

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