SÃO PAULO, SP - O senador Sergio Moro (União Brasil-PR) rebateu críticas à Operação Lava Jato e respondeu ao presidente Lula (PT) durante o congresso nacional do MBL (Movimento Brasil Livre), neste sábado (4). Ele alertou a plateia, formada por simpatizantes da direita, sobre o que considera risco às liberdades no país.

"A gente não pode esquecer o que aconteceu nesse país. Porque, hoje, se a gente for esquecer [...], nós estamos perdendo essa guerra", discursou, afirmando lamentar o processo de revisão da Lava Jato e o que considera paralisia do combate à corrupção no país.

Moro aproveitou a participação para atacar a gestão Lula também pela atuação em áreas como política internacional, segurança pública e agronegócio, falando em "direção péssima" e "desastre". Ele afirmou mais de uma vez contar com o MBL nas respostas ao governo e às mobilizações da esquerda.

VIGILÂNCIA

"Hoje em dia, se você não for chamado de fascista por esse pessoal, você está fazendo alguma coisa errada", disse, em tom de ironia. Mais adiante, ele conclamou o público a se manter vigilante diante do que julga ser o risco de "perder nossas liberdades fundamentais".

"O que eles mataram foi o combate à corrupção", afirmou o senador, para quem há um esforço em "reescrever a história para dizer que ladrão não é ladrão e que a Petrobras não foi roubada".

"Resgatar a verdade é importante para a gente fazer oposição ao presidente e construir o nosso futuro", continuou, descrevendo o que chamou de desmanche do combate à corrupção e à criminalidade em geral.

PERSEGUIÇÃO

Ainda segundo ele, "não tem um corrupto preso no Brasil" hoje porque "ninguém está investigando". Moro disse que procuradores e magistrados que atuem no tema passarão a ser perseguidos e sofrem processos disciplinares em órgãos das carreiras, como o CNJ (Conselho Nacional de Justiça).

O painel, divulgado com o título "Moro reage", compôs a programação do oitavo congresso nacional do movimento, realizado em um espaço de eventos na Mooca (zona leste). Foram vendidos cerca de 2.500 ingressos, segundo a organização. Circularam pelo local membros de vários estados.

Segundo a assessoria do grupo, a palestra do ex-juiz tinha a finalidade de defender o legado da Lava Jato. "Meu pecado era ser um juiz duro", disse ele. "Não dava moleza, não." Ele reiterou que suas decisões como magistrado foram confirmadas na época por instâncias superiores.

MINISTRO DA JUSTIÇA

O coordenador nacional do MBL, Renan Santos, afirmou que a atividade no congresso era um ato de desagravo a Moro e ao legado da operação.

Juiz da Lava Jato, Moro abandonou a magistratura para assumir o Ministério da Justiça do governo de Jair Bolsonaro (PL), com quem se desentendeu, o que motivou seu pedido de demissão.

Em 2021, Moro sofreu uma dura derrota no STF (Supremo Tribunal Federal), que o considerou parcial nas ações em que atuou como juiz federal contra Lula. Com isso, foram anuladas ações dos casos tríplex, sítio de Atibaia e Instituto Lula.

Diferentes pontos levantados pela defesa de Lula levaram à declaração de parcialidade de Moro, como condução coercitiva sem prévia intimação para oitiva, interceptações telefônicas do ex-presidente, familiares e advogados antes de adotadas outras medidas investigativas e divulgação de grampos.