'Não sou bandido e não sou criminoso', diz Recalcatti
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terça-feira, 02 de maio de 2017
Amanda Audi Especial para a FOLHA 
Curitiba - Réu por assassinato, o delegado Rubens Recalcatti (PSD) assumiu nesta terça-feira (2) uma vaga na Assembleia Legislativa (AL) do Paraná. Recalcatti era suplente de Chico Brasileiro (PSD), que renunciou ao cargo após ser eleito prefeito de Foz do Iguaçu, em eleição suplementar realizada no início de abril.
Recalcatti diz que não "se considera réu" e que não vê contrassenso em assumir um cargo público enquanto ainda responde ao processo na Justiça. "Em primeiro lugar, eu não cometi crime nenhum. Em segundo lugar, não me considero réu de nada. Em terceiro lugar, não sou bandido e não sou criminoso. Eu sempre fui um policial de respeito. e não admito que falem de mim que sou acusado de assassinato", disse ele à reportagem.
O delegado e outros sete policiais respondem pelos crimes de homicídio triplamente qualificado motivo torpe, crueldade e sem chance de defesa das vítimas , além de abuso de autoridade e fraude processual. Eles são réus pelo suposto envolvimento na morte de Ricardo Geffer, em Rio Branco do Sul, em abril de 2015.
A suspeita do Gaeco, braço investigativo do Ministério Público, é que Geffer teria sido assassinado por supostamente participar do assassinato de João Nazzari, ex-prefeito de Rio Branco do Sul. Nazzari era primo de Recalcatti. O delegado chegou a ser preso duas vezes durante o processo.
Recalcatti prometeu se dedicar ao tema da segurança pública durante o mandato. "A valorização dos policiais, da estrutura policial hoje combalida, da melhoria do quadro policial e o regaste da segurança dos cidadãos também", ressaltou. Ele disse ter "muitos projetos" em vista, mas não citou nenhum.
O novo deputado foi ovacionado pelos colegas, que fizeram homenagens dedicadas principalmente à trajetória policial de Recalcatti. O delegado recebeu 40.358 votos nas eleições de 2014, apenas 10 a menos que o necessário para se eleger diretamente pela coligação do PSD.
Com a posse, Recalcatti passa a ter foro privilegiado. Ele passará a ser julgado diretamente pelo Tribunal de Justiça, como confirmou seu defensor, Claudio Dalledone.


