Rubens Recalcatti (PSD) não vê contrassenso em assumir um cargo público enquanto responde a processo na Justiça
Rubens Recalcatti (PSD) não vê contrassenso em assumir um cargo público enquanto responde a processo na Justiça | Foto: Noemi Froes/Alep



Curitiba - Réu por assassinato, o delegado Rubens Recalcatti (PSD) assumiu nesta terça-feira (2) uma vaga como deputado na Assembleia Legislativa (AL) do Paraná. Recalcatti era suplente de Chico Brasileiro (PSD), que renunciou ao cargo após ser eleito prefeito de Foz do Iguaçu, em eleição suplementar realizada no início de abril.

Recalcatti diz que "não se considera réu" e que não vê contrassenso em assumir um cargo público enquanto ainda responde ao processo na Justiça. "Em primeiro lugar, eu não cometi crime nenhum. Em segundo lugar, não me considero réu de nada. Em terceiro lugar, não sou bandido e não sou criminoso. Eu sempre fui um policial de respeito. e não admito que falem de mim que sou acusado de assassinato", disse ele à reportagem.

Agora que assumiu a cadeira de deputado, Recalcatti passa a contar com o benefício conhecido como foro privilegiado. Com isso, o processo que ele responde por homicídio passará a ser julgado diretamente pelo Tribunal de Justiça do Paraná.

O delegado e outros sete policiais respondem pelos crimes de homicídio triplamente qualificado — motivo torpe, crueldade e sem chance de defesa das vítimas —, além de abuso de autoridade e fraude processual.

Eles se tornaram réus em fevereiro de 2016 por envolvimento na morte de Ricardo Geffer, em Rio Branco do Sul (Região Metropolitana de Curitiba), em abril do ano anterior. A suspeita do Gaeco, braço investigativo do Ministério Público, é que Geffer teria sido assassinado por supostamente participar do assassinato de João Nazzari, ex-prefeito de Rio Branco do Sul. Nazzari era primo de Recalcatti. O delegado chegou a ser preso duas vezes durante o processo.

Com relação ao mandato, Recalcatti prometeu se dedicar ao tema da segurança pública durante o mandato. "A valorização dos policiais, da estrutura policial hoje combalida, da melhoria do quadro policial e o regaste da segurança dos cidadãos também", ressaltou. Ele disse ter "muitos projetos" em vista, mas não citou nenhum.

No discurso de posse, o delegado se emocionou ao relembrar fatos de sua vida familiar e também da carreira. Ele foi ovacionado pelos colegas, que também discursaram para homenagear a trajetória do novato.

Recalcatti foi titular da Delegacia de Homicídios de Curitiba. Atualmente, estava lotado no Departamento de Infraestrutura da Polícia Civil. Nas eleições de 2014, recebeu 40.358 votos apenas 10 a menos que o necessário para se eleger diretamente pela coligação do PSD.

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