Arquivo FolhaItamar: ‘‘Ele vai falar do Real, mas o plano foi assinado por mim’’

O ex-presidente Itamar Franco já aceitava ontem a idéia de que a emenda da reeleição deveria ser aprovada pelo Congresso. ‘‘Eu vejo com muita tranquilidade o processo político brasileiro; passada a reeleição não será o fim do mundo, o apocalipse’’, disse. Para amigos, Itamar confidenciou que a emenda seria aprovada na Câmara e no Senado, tal qual aconteceu na comissão especial que examinou o assunto.
O ex-presidente espera, no entanto, que o presidente Fernando Henrique Cardoso converse com ele sobre a candidatura. ‘‘Como ex-ministro do meu governo e amigo fraterno, eu penso que ele deveria falar de sua candidatura comigo’’, disse. ‘‘Eu também terei a gentileza, se for disputar, de conversar com ele.’’ Segundo ele, a campanha será ‘‘interessante’’. ‘‘O presidente vai falar do Plano Real e eu irei dizer que ele foi assinado por mim’’, disse com ironia.
Itamar viaja hoje para Brasília, onde será homenageado pelo presidente do Senado, José Sarney, com uma medalha do Congresso. Desde que chegou de Washington, onde exerce a função de embaixador do Brasil na Organização dos Estados Americanos (OEA), ele tem feito articulações com políticos e parlamentares. Na segunda-feira, encontrou-se com o presidente nacional do PMDB, deputado Paes de Andrade (CE), que defende a candidatura de Itamar à Presidência.
Ele esteve ontem na casa do presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), jornalista Barbosa Lima Sobrinho, para lhe parabenizar pelos 100 anos de idade completados no último dia 22. Após o encontro, Itamar fez severas críticas ao líder do PMDB na Câmara, deputado Michel Temer (SP), pelo fato de ele ter trabalhado em favor da aprovação da reeleição. ‘‘A gente fica impressionado como o processo político nacional tem determinadas figuras.’’
Itamar disse que, como fundador do partido, vê com ‘‘muita tristeza’’ que o líder do PMDB tenha trabalhando contra a decisão da convenção de seu partido. A convenção definiu que a reeleição não deveria ser votada neste mês. Segundo ele, é melhor que o PMDB seja uma legenda com um número menor de deputados, a ser um grupo político com integrantes que desobedeçam às decisões de convenções, insinuando que aqueles que descumprirem a orientação se retirem do PMDB.

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