'Não se pode jamais paralisar governo', afirma Temer
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quarta-feira, 12 de abril de 2017
Gustavo Uribe<br>Folhapress 
Brasília - No dia seguinte à abertura de investigações contra oito ministros, o presidente Michel Temer defendeu que não se pode jamais paralisar o governo e que deve se dar sequência à atividade legislativa do país. A declaração do peemedebista faz parte de estratégia do Palácio do Planalto para blindar a reforma previdenciária, que, na avaliação de auxiliares e assessores presidenciais, pode ser afetada pela instauração de inquéritos autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e relator da Lava Jato, Edson Fachin.
"Não podemos jamais paralisar o governo. Nós temos de dar sequência ao governo, sequência à atividade legislativa e à atividade judiciária", disse. Em discurso para a sanção de projetos que beneficiam as mulheres, o presidente evitou, contudo, fazer referências à decisão do ministro da Suprema Corte. Ele defendeu a separação dos poderes e disse que cada um deve cumprir o seu papel. "Um governo só funciona porque tem o apoio do Congresso Nacional. E, evidentemente, nas eventuais divergências ou interpretações, quem vai dar a palavra final é o Judiciário. E isso que temos que prestigiar cada vez mais", disse.
O presidente elabora estratégia para evitar que a reforma previdenciária seja afetada pelos pedidos de inquérito. O receio é que a abertura de investigações contra o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, principal articulador da proposta junto ao Congresso, e contra o relator da reforma previdenciária, deputado federal Arthur Maia (PPS-BA), possa atrasar o cronograma de votação e obrigar o presidente a fazer novas flexibilizações para aprová-la.
A ideia do presidente é tentar blindar a proposta do aspecto político e reforçar o seu aspecto técnico. Para isso, o Palácio do Planalto pretende aumentar as aparições públicas de ministros como Henrique Meirelles (Fazenda) e Dyogo Oliveira (Planejamento) em defesa da iniciativa. A estratégia é transformá-los em "garotos propaganda" da reforma, tentando desvincular a iniciativa de ministros do núcleo político. O presidente também irá intensificar a defesa da proposta em discursos públicos, reforçando que, sem ela, a situação do país poderá ficar ainda mais instável.


