Não reeleitos pensam no futuro
O mais velho e o mais novo deputado federal não reeleitos do Paraná começam a arrumar as gavetas de seus gabinetes para os sucessores. Antônio Ueno (PFL), 75 anos, e Ricardo Gomyde (PCdoB), 28 anos, refeitos da derrota, fazem planos para depois de 1º de fevereiro, quando deixam os cargos. Ueno diz que pretende se dedicar mais à presidência da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Japão, em Curitiba, cargo que exerce há 20 anos. Gomyde vai estrear um programa de rádio sobre política em abril, numa emissora da capital.
Agora terei mais tempo para aproximar empresas do Japão para o Brasil e vice-versa, conta Ueno. Ele admite que só conseguiu ter um conforto espiritual recentemente, após uma viagem ao Japão, no mês passado, na qual foi condecorado pelo primeiro-ministro Keizo Obuchi. É a condecoração máxima no País, vangloria-se.
Ueno reconhece que não foi fácil aceitar sua não reeleição - ele nunca havia provado o gosto da derrota e cumpria seu 8º mandato na Câmara, o 11º de sua carreira que começou como vereador. O pefelista sonhava ser o político com maior número de mandatos no Brasil - 12, em 45 anos de vida pública. Mas não conseguiu.
Vou buscar a felicidade em outras coisas, revela. Ele pretende ajudar na formação de jovens políticos, principalmente da colônia nipo-brasileira, que ficou sem representante paranaense na Câmara dos Deputados. Também faz planos para escalar o monte Fuji no ano 2000 com o neto Rogério. Vou rezar pela paz mundial e pelos 500 anos do Brasil. O deputado já está preparando o corpo e o espírito para o desafio - o monte Fuji é o mais alto do Japão, com 3.776 metros.
Já Ricardo Gomyde faz planos para abril, quando pretende estrear, em Curitiba, um programa político. Existem muitos programas policiais e uma carência grande na área política. É uma oportunidade para falar do assunto, já que os meios de comunicação de massa dão grande repercussão, além de manter a visibilidade, admite. Atualmente, ele está em Brasília participando da convocação extraordinária e de aulas na Universidade de Brasília, onde cursa jornalismo.
A partir de fevereiro, quando deixar a Câmara, Gomyde pretende também se dedicar ao partido. Vamos correr o Estado preparando-o para as eleições do ano 2000, explica. Gomyde é vice-presidente da Comissão de Educação da Câmara e estuda a possibilidade de formar um instituto para combater o analfabetismo.
Ele disse que não pretende se desvincular da política, mas ainda está indeciso sobre qual cargo poderá disputar. É difícil antecipar, afirmou. Gomyde garante que já está refeito do susto de sua não reeleição. Sabia que a eleição ia ser difícil porque o partido é pequeno, o momento era difícil e havia uma apatia completa por parte do eleitorado. E nunca houve eleição onde o poder econômico foi tão decisivo, afirmou. Apesar de não ter conseguido uma vitória, o saldo foi positivo porque obtive 29.800 votos, avaliou.Arquivo FolhaUeno: Rezarei pela paz mundial e pelos 500 anos do BrasilPatrícia Zanin





