O deputado federal não reeleito Paulo Bernardo (PT) já tem dois convites a analisar: um da prefeitura de Londrina para acompanhar os projetos do município nos ministérios, em Brasília, e outro do comando geral do PT na área de fiscalização e controle do Orçamento, sua especialidade. ‘‘Fico lisonjeado, mas não vou me precipitar. Por enquanto não decidi nada. Afinal, sou deputado até janeiro’’, desconversa Bernardo.
Bernardo contou à Folha que o presidente nacional do PT, José Dirceu, lhe telefonou esta semana para lamentar o fato de o deputado não ter sido reeleito. ‘‘Ele disse que estava muito triste e achava uma injustiça’’, contou. Dirceu também convidou o deputado para uma reunião na próxima semana, em Brasília. A bancada do PT na Câmara articula a entrada de Paulo Bernardo no comando do PT para acompanhamento e fiscalização do orçamento da União. O deputado é presidente da Comissão de Fiscalização e Controle e virou referência nacional nesta área.
‘‘Tenho percebido que apesar de fiscalizar o orçamento seja atividade importante do Congresso, ela é deixada de lado’’, avalia. ‘‘E acompanhar e fiscalizar os gastos do governo merece um trabalho constante’’, emenda. Ele acredita que esse acompanhamento dos gastos merece atenção mais especial ainda em virtude da crise, quando o governo fala em aumentar impostos e reter parte da receita dos municípios através do Fundo de Estabilização Fiscal.
Já sobre o acompanhamento dos projetos de Londrina em Brasília, ele conta que ainda não conversou com o prefeito Antonio Belinati (sem partido), o que deve ocorrer neste final de semana. ‘‘A dona Emília me telefonou chateada com a minha derrota, mas eu ainda não falei com o prefeito. Apesar disso, a idéia de ajudar Londrina é muito interessante’’, avalia o petista que, no segundo turno das eleições municipais de 1996, deu apoio a Belinati. Na próxima terça-feira, Bernardo irá acompanhar o secretário municipal de Educação Dorival Perez em sua ida ao ministério da Educação.
Paulo Bernardo reclamou do fato de o PT do Paraná ter reduzido de quatro para três o número de deputados federais e de cinco para quatro estaduais. ‘‘A coligação com o PMDB foi um erro. Tanto eles como nós reduzimos bancadas’’, reclama. Bernardo acredita ainda que se não houvesse aliança, o PT poderia ter levado a eleição no Estado para o segundo turno. ‘‘Apesar de ter feito quase 70 por cento a mais do que em 94, avaliamos mal a possibilidade dos demais candidatos’’, admitiu.

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