Curitiba - O relator da CPI dos Correios, Osmar Serraglio (PMDB-PR), disse ontem que o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, só escapou enfrentar um processo de cassação do mandato até agora porque, se fosse iniciado, sua conclusão poderia coincidir com a campanha eleitoral do próximo ano. ‘‘Se o Congresso fosse partir para o julgamento político do presidente, demoraria até quase o tempo das eleições. Então, por que uma ruptura anormal [do poder], quando é possível uma alteração normal? Não atropelar o impeachment agora é uma opção política’’, afirmou.
  A declaração foi feita no aeroporto Afonso Pena, entre um vôo vindo de Brasília e outro que seguia a Maringá, na região de Umu-arama, onde mora o relator. ‘‘Não quero dizer que ele [Lula] perca [em 2006, caso se candidate à reeleição], mas ninguém melhor que a população para dar rumo político [ao presidente].’’
  Antes de fazer esta análise, o relator ressalvou que não estava dizendo que o presidente Lula tenha envolvimento direto no escândalo que atinge o PT, partidos aliados e o governo, mas que a falta de provas não o exime do risco de ser cassado. ‘‘Ainda que ele tivesse envolvimento direto, não há clima para o impeachment na opinião pública. Se houver o clima, ele pode ser cassado’’. Serraglio explicou que um eventual impedimento do presidente parte de um ‘‘juízo [de valor] político e não se firma na prova material’’. Para o relator, só o descrédito do presidente já seria razão para o Congresso ‘‘tomar uma conduta mais drástica’’ para garantir a estabilidade da instituição governo.

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