Não posso defender a minha causa
Folha - O senhor tem dito que, a partir de janeiro, vai se dedicar ao Instituto Teotônio Vilela. O que, de fato, o senhor vai fazer?
Bueno - Temos uma agenda extensa para cumprir em 97. Vai desde a programação de cursos até a instalação do Instituto em cada sede regional. Em cada região deverão ser feitos cursos de formação descentralizados, para que possamos atingir toda a militância do PSDB.
Folha - Mas o senhor já começa a trabalhar visando a uma possível candidatura ao governo do Estado?
Bueno - Eu sempre tenho dito que gostaria de ver meu nome à disposição do PSDB. Se o partido entender que o meu nome deva ser aquele que reflita a opinião da maioria do partido, vou buscar apoio para tentar colocar o meu nome e vou à luta. Agora, se isso não for possível dentro do PSDB, não há porque ficar insistindo numa oportunidade que o próprio partido não me dê.
Folha - O crescimento do seu nome dentro do PSDB não pode criar atrito com o ex-governador Álvaro Dias?
Bueno - Não, não penso assim de forma alguma. Acho que o partido tem bons nomes para lançar ao governo do Estado e o ex-governador é um deles. Ele tem um bom trabalho e é uma liderança em todo o Estado. O PSDB é um partido rico de nomes e isso é que é importante.
Folha - Como pré-candidato a governador, o senhor se sente prejudicado por ser de Campo Mourão, que é um município menor que vários outros do Estado?
Bueno - Eu não vejo assim. Acho que todos têm a oportunidade de colocar o seu nome devido à possibilidade de levar adiante seu trabalho. O importante é saber se essa pessoa conhece bem o Estado, se tem noção do que é governar um Estado como o Paraná. Porque às vezes tem gente que lá em Curitiba governa imaginando só a região metropolitana. Não tem a visão estadual lá de Porto Rico, na barranca do Rio Paraná, ou lá de Barracão, na outra ponta do Estado, ou lá mesmo em Guaraqueçaba, ou lá na divisão de São Paulo.
Folha - O que o senhor priorizaria como governador do Paraná?
Bueno - Priorizaria o desenvolvimento de forma descentralizada, onde haja atenção não só à industrialização com a geração de emprego e renda, que é o ponto principal, mas sobretudo de ver a qualidade de vida nos seus diversos segmentos, naquilo que o governo do Estado tem a obrigação de fazer. E nunca deixar que as parcerias entre governo do Estado e governos municipais venham a sofrer qualquer tipo de paralisação. Esse é o grande prejuízo que nós temos hoje no Paraná.
Folha - O senhor é favorável à reeleição?
Bueno - Sou a favor, mas não para mim. Sempre defendi a reeleição como forma democrática de estender o direito do eleitor. Ora, se você é governante e eu sou eleitor e você tem direito à reeleição, o meu direito amplia para mais alguém que eu possa votar. Agora, para mim eu nunca defendi. Jamais iria defender alguma coisa em causa própria.
Folha - Se a reeleição for aprovada, no entanto, o senhor como possível candidato a governador pode ter que concorrer com Jaime Lerner (PDT). Isso não seria pior?
Bueno - Isso não é problema. Minha posição é uma questão de ética. A minha forma de pensar politicamente diz que eu não posso defender a minha causa. Não fui eleito com esse direito. Agora, não posso escolher adversário. Nem quero, jamais, ter essa pretensão. Quero ser escolhido candidato, montar uma plataforma de governo, como fizemos em Campo Mourão, com um programa de governo debatido antes de assumir a Prefeitura e, ao longo de quatro anos, o executarmos ponto por ponto.
Folha - O senhor acha possível implantar o orçamento participativo a nível de Estado?
Bueno - Tranquilamente. Sem nenhum problema. Nada impede que você seja transparente desde a proposta até a prestação de contas. Nada impede. Basta ser um governante com essa vocação.
Folha - Com relação a cargos que o senhor poderia assumir a partir de janeiro, como a presidência da Telepar, existe alguma coisa concreta?
Bueno - Não tenho nada até agora. Tenho lido, tenho ouvido, tenho conversado a respeito, mas não tenho nada formalizado sobre isso. Depois que tiver algo de concreto, aí sim, vou procurar avaliar com o partido.
Folha - Como será seu relacionamento com a administração municipal de Campo Mourão?
Bueno - Olha, quando o Tauillo foi escolhido candidato, o PSDB o escolheu e nós apoiamos essa escolha. Vamos desejar, torcer e apoiar firmemente para que ele seja o melhor prefeito da história de Campo Mourão. Só assim vou ganhar como seu companheiro de partido, como contribuinte e como morador de Campo Mourão.
Folha - Há quem diga que o senhor vai preferir ajudar outras cidades, como Maringá, Guarapuava e Ponta Grossa, por exemplo, que também elegeram prefeitos do PSDB, uma vez que em Campo Mourão o senhor já estaria tranquilo numa eventual disputa pelo governo do Estado.
Bueno - De forma alguma. Mesmo como prefeito de Campo Mourão eu tenho ajudado todas as cidades do Paraná. Fui atrás de apoiar o Paraná Urbano, que estava com problemas de aprovação no Senado, fui atrás de apoiar outros projetos como o Paraná 12 Meses e de projetos de outras cidades. Não será agora que vou deixar de apoiar também os municípios do Paraná cujos prefeitos me procurarem, inclusive Campo Mourão.
Folha - Em termos de obras, como o senhor entrega a prefeitura?
Bueno - Hoje temos contratados mais de R$ 2,5 milhões de asfalto na cidade em três grandes frentes. Além disso, o município fica com R$ 5,8 milhões de capacidade de endividamento.





