O governador Jaime Lerner (PFL) disse ontem, em Curitiba, que a situação financeira do País exige serenidade e que o Paraná terá de apertar o cinto para enfrentá-la. ‘‘Não pode haver afobação. Eu já me manifestei contra qualquer tipo de especulação, totalmente fora de hora, porque agora temos de nos concentrar no trabalho, nesse esforço que o Brasil inteiro vai ter de fazer para encarar toda essa turbulência internacional’’, afirmou.
O governador desembarcou às 17h30, uma hora antes do programado, no aeroporto Bacacheri, falando em cortes, mas evitando vinculá-los à extinção ou fusão de secretarias de Estado. Lerner ficou na Itália e na África do Sul por cerca de 15 dias.
Para o governador, o Estado terá de fazer a sua parte. ‘‘Mas isso não quer dizer que vamos extinguir secretarias ou demitir pessoal’’, ressaltou. Lerner avisou que há uma necessidade imediata no corte do que ele classificou como ‘‘gorduras do próprio governo’’. ‘‘Temos que acabar com o celular, e com muita coisa que se gasta desnecessariamente. Temos que apertar o cinto, sem sacrificar a população’’, assinalou. O governador garantiu que os cortes não atingirão os programas sociais de seu governo. ‘‘Vamos continuar investindo. Felizmente o Paraná garantiu, com os programas que montou, recursos externos que continuarão sendo levados à Agricultura, Educação e aos municípios’’, assegurou. Lerner não detalhou como pretende enfrentar os reflexos do ajuste fiscal preparado pela União.
‘‘Toda especulação é precipitada. Estou pensando, sim, em como reduzir despesas’’, disse. O governador deu a entender logo de chegada que os estudos feitos pela sua equipe econômica - integrada pelos secretários da Fazenda, Giovani Gionédis; do Planejamento, Miguel Salomão; da Administração, Reinhold Stephanes Junior; e do Governo, José Cid Campêllo Filho - não são definitivos e que dependem da sua vontade pessoal. ‘‘Não tem nada definido’’, avisou Lerner. Segundo ele, outro desafio do governo nesse momento de crise econômica é adequar o Estado à Lei Rita Camata, que fixa em 60% das receitas líquidas os gastos com a folha de pagamento. O Paraná gasta hoje cerca de 78% de suas receitas líquidas com pessoal.
O governador disse que não haverá demissões no funcionalismo público. Ele ressaltou que vai implantar medidas alternativas para preservar os cargos dos servidores. Lerner não fez distinção entre funcionários públicos estaduais e comissionados, estes indicados por critérios políticos. ‘‘Reforçar o Fundo de Previdência, por exemplo, é uma solução para nos adequarmos à Lei Camata’’, considerou. Para Lerner, o fim de gastos com aposentadorias e pensões - que passariam a ser de responsabilidade do Fundo - ‘‘aumenta a capacidade de investimento do Estado’’.
No palanque improvisado pelas lideranças políticas e integrantes do governo, ontem, no aeroporto, Lerner pediu ‘‘paciência’’ para o momento. Além da questão política - a queda-de-braço na composição do novo secretariado, - o governador voltou a dizer que o momento financeiro requer serenidade do governante e das pessoas que integram o governo. ‘‘Tenho quatro anos, dois meses e alguns dias ainda pela frente. Nesse período, guardem o que eu digo, o Paraná será o Estado da vanguarda. Vamos ser os primeiros em tudo. O reconhecimento nacional e internacional do meu governo deve ser creditado à minha equipe’’, discursou.

mockup