Agência Estado
O presidente Fernando Henrique disse ontem, em Assunção, que não possui ‘‘elementos suficientes’’ para julgar as acusações feitas contra o novo diretor-geral da Polícia Federal (PF), João Batista Campelo. ‘‘No momento em que tiver elementos - e até agora não chegou para mim nenhum, nenhum - eu vou tomar uma decisão com a maior tranquilidade; não me peçam para prejulgar nada’’, afirmou o presidente, durante entrevista no encerramento da 16ª Cúpula dos Presidentes do Mercado Comum do Cone Sul (Mercosul). (Ver em Folha Economia).
FHC deixou entender que poderá afastar Campelo se as acusações procederem. ‘‘Se a Casa Militar possuísse essas informações e não me tivesse passado, isso está errado; se isso for verdadeiro, os destinos estão traçados’’, afirmou o presidente ao ser questionado se a manutenção de Campelo no cargo não é incompatível com um dos princípios fundamentais do Mercosul - o fortalecimento da democracia nos quatro países-membros, que, além do Brasil, são Argentina, Uruguai e Paraguai.
O presidente ressaltou que é patrimônio da vida dele agir de forma consistente em termos de democracia e direitos humanos. ‘‘Sempre lutei pela democracia; porque o presidente sempre lutou pela democracia e foi vítima, ele não pratica arbítrio’’, enfatizou FHC. Ele acrescentou ainda que ‘‘existe um estado de direito e um estado de direito não é um estado de acusação’’. ‘‘É um estado em que há acusação, defesa e julgamento’’, afirmou. Fernando Henrique acrescentou que, na cultura democrática, ‘‘há argumentos e contra-argumentos’’.
Fernando Henrique, que antecipou a volta ao Brasil em duas horas, não quis comentar a briga entre dois caciques da base de sustentação no Congresso - os presidentes da Casa, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), e da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP).

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