Não me deixem só, repete Collor
Não me deixem só, repete Collor
Não me deixem só. A frase, pronunciada em discurso pelo ex-presidente Fernando Collor no salão dos fundos da churrascaria Shibata, em Mogi das Cruzes (SP), na quinta-feira, arrancou aplausos dos 150 presentes. E mostrou que seu discurso continua o mesmo de 1989, quando venceu Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Collor diz acreditar que o STF (Supremo Tribunal Federal) não irá impugnar sua candidatura. Passou quinta e sexta em cidades próximas a São Paulo fazendo discursos de campanha. Seus discursos têm dois temas principais. No primeiro, apresenta-se como vítima de uma armação política que teria acabado no processo de impeachment. Lembra 1989, quando dizia que era perseguido pelas elites por defender os descamisados. Todos eles estiveram unidos para me arrancar do poder, afirmou, referindo-se aos integrantes do governo do presidente Fernando Henrique Cardoso.
A segunda linha do discurso tenta atrair, novamente, os que ele batizou de descamisados. Discursa Collor: O governo FHC não está tendo a preocupação com os menos favorecidos. Com os que precisam da ajuda do Estado para diminuir um pouco suas agruras e sofrimentos. O ex-presidente define os novos descamisados no governo FHC: A classe média está sofrendo como nunca. Os aposentados sendo xingados de vagabundos por ele. Os juros empurram comércio e indústria para a falência.
Como os outros candidatos, Collor quer os votos dos descontentes com FHC. Muitas vezes, poderia ser confundido até com candidatos mais à esquerda, como Ciro Gomes (PPS) ou Lula (PT). Mas as coincidências acabam quando Collor fala dos saques no Nordeste. Aí, o discurso não lembra o de 1989, mas os pronunciamentos dos representantes do regime militar, entre 1964 e 85. Os saques revelam a falta de autoridade nesse país. Nós precisamos de ordem. De colocar o país em um clima de ordem e tranquilidade para que possamos todos trabalhar, discursou Collor. (AF)





