O deputado federal Ricardo Barros negou ontem as acusações do ex-secretário de Fazenda, Luis Antônio Paolicchi, de que o desvio de dinheiro da prefeitura teria começado em sua gestão. No depoimento anterior dado à Justiça Federal (em 12 de dezembro), Paolicchi havia poupado o nome de Barros e citado como responsáveis pela corrupção os ex-prefeitos Said Ferreira e Jairo Gianoto, ambos sem partido.
Segundo Barros, se houve desvio não foi com o seu conhecimento e nem autorização. ‘‘Muito menos fui beneficiado com o esquema’’, afirmou à Folha. O deputado disse que já era esperado que o ex-secretário fizesse declarações divergentes do primeiro depoimento. ‘‘Não sei quais as razões processuais para isso, mas com certeza Paolicchi agiu de acordo com a orientação da defesa’’, ressaltou o deputado.
O vereador Mário Hossokawa (PSDB), outro nome citado pelo ex-secretário, confirmou que recebeu ajuda de campanha em 1998 quando se candidatou a deputado estadual. Ele afirmou porém que o dinheiro foi providenciado pelo ex-prefeito Gianoto.
Conforme Hossokawa, depois da campanha, o ex-prefeito foi até uma agência do Banestado e fez um empréstimo de R$ 20 mil. ‘‘O papagaio foi feito em meu nome e creditado em minha conta para pagar dívidas de campanha’’, disse o vereador. Os avalistas do empréstimo, segundo Hossokawa, foram Gianoto e o ex-secretário Paolicchi. ‘‘Depois eles foram pagando o papagaio’’, acrescentou.
Hossokawa contou também à Folha que Gianoto abriu na ocasião da campanha um crédito de R$ 15 mil na Gráfica Regente (empresa já citada em depoimentos anteriores). ‘‘O crédito serviu para a impressão de material de campanha’’, explicou o vereador.
O ex-secretário de Fazenda na segunda gestão do ex-prefeito Said, Osmar Bento Zaninello, outro citado por Paolicchi, não quis dar declarações. Zaninello disse que qualquer resposta será dada diretamente à Justiça caso seja intimado.
A reportagem também tentou ouvir ontem os deputados estaduais Ricardo Maia (PPS) e Serafina Carrilho (PL), mas eles não foram localizados. O ex-vereador Ulisses Maia (PPS), irmão de Ricardo, e o ex-deputado estadual Marquinhos Alves também não foram encontrados.

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